Testes de programas podem ser uma maneira muito eficaz para demonstrar a presença de erros, mas é irremediavelmente insuficiente para mostrar a sua ausência.

EDSGER DIJKSTRA

(1930-2002)
Cientista de computação em uma palestra
O programador Humble no ano de 1972

O elogio é um meio muito usa­do, mas sempre novo,
de render homenagem à vaidade alheia.

JOSÉ DE ALENCAR

Jornalista, político, advogado, orador, crítico, cronista, polemista, romancista e dramaturgo brasileiro.

Não adianta dizer "estamos fazendo o melhor que podemos." Temos que conseguir o que quer que seja necessário.

WINSTON CHURCHILL

(1874-1965)
Estadista inglês, primeiro-ministro do Reino Unido em
Winston S. Churchill: seus discursos completos,
volume 1, página 2409

Não conheço satisfação maior para o espírito
do que ver triunfar a verdade científica.

RUY BARBOSA DE OLIVEIRA

(1849-1923)
Jurista, escritor e político brasileiro em um trecho de carta
enviada ao chefe da missão exploratória que demarcou
a área da futura capital do Brasil, em 20 de abril de 1883

PAGUE SEUS IMPOSTOS, OU MORRA!

(Publicado em 20/03/2009)



Pagar impostos não é a melhor parte de ser empresário, no Brasil. Mas não existe escolha. É melhor pagar os impostos (em dia). A outra opção é enfrentar a guilhotina da mortalidade empresarial.

A carga tributária, no Brasil, é absurda! O retorno que o governo dá ao cidadão pelos impostos pagos é ridículo. Os empresários são punidos de forma ainda mais cruel pois, geralmente, numa empresa, o lucro (aquela parte que vai para a conta pessoal do proprietário ou dos sócios) nunca chega nem perto do valor que é pago em impostos.

Empresas de Engenharia e de Arquitetura sofrem ainda mais, pois a legislação tributária brasileira não dá aos profissionais liberais de nível superior nenhum benefício.

A vida é dura!





xxxCREDITOSxxx



Ainda assim, nos meus cursos e palestras insisto numa posição que contraria o senso comum: todos devemos pagar os impostos. Ou enfrentar a guilhotina da mortalidade empresarial.

Há alguns anos, quando eu lecionava Empreendedorismo numa turma de graduação em Administração, provoquei os alunos com um trabalho interessante. Pedi a eles que produzissem uma análise que relacionasse (a) carga tributária, (b) informalidade e (c) mortalidade empresarial. Seria um trabalho com um certo grau de profundidade, pois ocuparia quase metade das aulas do semestre letivo.

No primeiro dia fizemos um briefing sobre o tema e, na discussão, por mais que eu apresentasse argumentos, a conclusão de 35 dos 37 alunos da turma seguiu, rigorosamente, o pensamento da maioria dos pequenos empresários brasileiros: (1) sonegar impostos é inevitável; (2) se pagar todos os impostos a empresa não consegue sobreviver; (3) sonegar impostos é justo, já que o governo não aplica direito os impostos que são pagos.

Munidos dessas premissas eles foram para a biblioteca, para a internet e para o campo. Ler os principais autores que tratavam do tema, analisar relatos contemporâneos e entrevistar empresários bem-sucedidos e também aqueles que estão em dificuldades.

Depois de algumas semanas as "surpresas" começaram a aparecer. Vários autores abordavam a questão dos impostos e da informalidade. Nenhum deles, no entanto, apontava a informalidade como uma alternativa viável para o empresário. Não a apontavam como uma coisa boa. Muito menos recomendável (o termo "inevitável" não aparecia em nenhum lugar).

Na pesquisa feita na internet os alunos descobriram que milhões de micro e pequenas empresas brasileiras estão submetidos a um círculo vicioso em que o peso dos impostos é tão grande que elas não conseguem se formalizar. Como são informais, não assinam a carteira dos empregados, não emitem notas fiscais e sonegam impostos, obrigações sociais e trabalhistas.

Por conta disso, uma empresa que começa pequena provavelmente está condenada a ficar pequena ou desaparecer rapidamente, porque o nosso ambiente de negócios não permite a ela ter acesso a crédito, nem a uma situação regular de formalidade. Por consequência, não consegue ter um aumento de produtividade e faturamento.

Mas foi do campo que as respostas vieram com mais clareza. Entrevistas e análise de casos reais rapidamente permitiam àqueles jovens estudantes de Administração fazer um diagnóstico que pode ser cruel, mas é necessário: a informalidade e a sonegação de impostos são duas das principais causas associadas à mortalidade empresarial.

Empresas que não assumem suas obrigações sociais e trabalhistas alimentam uma bomba de efeito retardado: num primeiro momento isso pode parecer uma solução interessante, mas, depois de algum tempo o que acontece é que o empresário vira refém dessa situação. Não tem mais liberdade para implementar as políticas de pessoal que considere adequadas, se essas contrariam os interesses dos empregados. Por mais "de confiança" que eles sejam, sempre poderá haver quem os instigue a uma ação trabalhista. E uma única ação trabalhista pode comprometer (às vezes irremediavelmente) a viabilidade da empresa.

Empresas que não estão legalizadas não podem se expor. Ficam impedidas de utilizar os mecanismos de promoção das suas marcas e produtos. E, o mais grave: ficam impedidas de ter acesso aos melhores mercados. Os melhores clientes, aqueles que fazem os negócios mais vultosos, geralmente são aqueles que não negociam com quem não fornece nota fiscal.

O rosário de dificuldades e armadilhas da informalidade levou meus alunos a concluir, praticamente por unanimidade, que a a informalidade é uma falsa solução para um problema que, geralmente, os novos empresários não estão preparados para avaliar tecnicamente de forma completa;

A enganosa noção de lucro que o empresário tem no início do processo sempre apresentará uma conta salgada mais adiante. Esta conta, geralmente virá sob a forma de um problema legal derivado de uma fiscalização de algum órgão do governo ou então de uma ação trabalhista. Esses problemas legais sempre estarão acompanhados de um correspondente financeiro que, não raro, inviabiliza a continuidade da empresa, engrossando as estatísticas da mortalidade empresarial.

Atuar de acordo com a legalidade e pagar todos os impostos é, portanto, necessário e útil.
Conformar-se com a carga tributária e com a maneira como os governos desperdiçam os impostos cobrados é inadmissível.

Profissionais de Engenharia e de Arquitetura que servem ao país mantendo abertas suas empresas, gerando empregos e impostos, precisam se unir para exigir racionalidade na carga tributária e responsabilidade no uso dos recursos arrecadados

Ou morrer de inanição empresarial.





PADILHA, Ênio. 2009

Este post já tem comentários. Quer ler? Clique AQUI

O MARKETING E OS ERROS PROFISSIONAIS

(Publicado em 25/02/2006)



Antes de começar a ler este artigo, bata três vezes na madeira.
Erros profissionais não estão nos planos de ninguém. Ninguém imagina que possa errar um pênalti, muito menos se esse pênalti for na partida final do campeonato. Mas isso é coisa que acontece e, nessas horas, alguns conceitos de marketing são remédios muito mais eficazes do que desespero e fuga.

No dia 31 de outubro de 1996, às 8 horas da manhã, um avião da TAM caiu, 25 segundos depois de decolar do aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

O acidente, no qual morreram 98 pessoas, tinha todos os ingredientes para quebrar a empresa. Além da gravidade em si, do número de vítimas e dos danos materiais causados, era um desastre que caía como uma luva para os interesses da concorrência e de outras empresas interessadas em se aproveitar comercialmente da situação. Seria, enfim, um desastre completo.

Seria! Seria um desastre completo se o Comandante Rolim (presidente da companhia à época. Falecido em 2001) e sua equipe não estivessem preparados para enfrentar aquela situação.

Eles agiram de forma rápida, tomando providências simples, posicionando claramente a empresa e solucionando os problemas possíveis. Sabiam, por exemplo, que os parentes das vítimas seriam apresentados na televisão, chorando, mostrando a fotografia do parente morto e culpando alguém pelo “crime”. Por isso, prontamente eles “recolheram” o máximo de parentes que puderam em um hotel de luxo, com médicos, enfermeiros e psicólogos. Com isso eles mataram dois coelhos com uma só cajadada: providenciaram o atendimento às vítimas (os parentes também são vítimas) e evitaram todo o terrorismo que teria sido feito na televisão se os parentes ficassem “soltos”.

Em momento algum deixaram de informar à imprensa sobre o que estava acontecendo. Todas as ações foram rápidas e coordenadas. Parece até que eles estavam treinados para enfrentar uma catástrofe daquela envergadura.

Parece? É claro que estavam treinados! Uma empresa cuja atividade convive diariamente com o risco de acidentes graves precisa estar preparada para administrar os problemas causados por acidentes graves. Muita gente elogiou o comportamento da TAM naquele episódio. Eu mesmo acho que eles foram ótimos. Conseguiram reduzir ao mínimo as conseqüências inevitáveis do acidente.

Mas não foi, como muita gente quis dizer, puro feeling. Pura intuição de marketing do Comandante Rolim (até porque ele não estava no Brasil no momento do acidente e só voltou no dia seguinte).

Foi, antes de tudo, uma manifestação de competência, de preparo e de planejamento. A empresa agiu rápida e eficientemente porque estava “esperando” que coisas desse tipo acontecessem. Os procedimentos já estavam previstos.

E, justiça seja feita, se o acidente tivesse ocorrido com qualquer uma das outras grandes companhias de aviação, o comportamento, provavelmente seria o mesmo. Isto está nos manuais de condução de crises que todas as grandes empresas têm.

Esta é a lição que nós devemos tirar daquele lamentável acidente. Se você é prestador de serviços, você precisa ter consciência de que alguma coisa pode um dia sair errado. E você precisa pensar nessas coisas bem antes que elas aconteçam. Com a cabeça fria para fazer o melhor planejamento possível.

Qual é o arquiteto que deseja descobrir, com a obra em andamento e a concretagem programada para o dia seguinte, que uma determinada escada, por erro do projeto, não permite a passagem, em pé, de uma pessoa com mais de 1,70m.

Qual é o engenheiro civil que gostaria de ver uma obra construída por ele, cair três meses depois de concluída.

Qual engenheiro eletricista quer ver uma indústria com todas as suas máquinas paradas por uma semana, porque houve um erro no cálculo do dispositivo de proteção e os transformadores queimaram.

Durante a carreira profissional de um engenheiro ou de um arquiteto, problemas podem ocorrer. Erros podem ser cometidos. Alguns menores, com pequenas conseqüências. Outros, maiores, potencialmente destruidores de uma carreira. É óbvio que esses problemas não são desejados. Mas eles precisam ser previstos. Na hora de um problema você precisa ter claro algumas considerações sobre marketing e precisa saber com certa precisão o que fazer ou que postura assumir.

Vamos sugerir alguns comportamentos e procedimentos que poderão ser úteis para a minimização de um problema. Lembre-se: esses procedimentos e comportamentos precisam estar introjetados em você. Não se trata de “sofrer por antecipação”. Trata-se de estar preparado para administrar as conseqüências de um erro profissional. Trata-se, também, de fazer as coisas certas desde o início, evitando assim que um eventual erro profissional se transforme num desastre.

1.Não saia por aí dizendo que você não tem culpa de nada. Que você fez tudo certo. Que você está coberto de razão. Mas também não saia assumindo a culpa pelo problema, a menos que você tenha certeza absoluta de que o problema foi gerado por um erro seu. Muitas vezes aquilo que parece óbvio não é tão óbvio assim. Não custa nada esperar um pouquinho antes de manifestar alguma conclusão. No entanto, desde o primeiro momento, você deve mostrar-se disposto a aceitar que o erro foi seu, desde que isso seja demonstrado.

2. Não fuja do campo de batalha. Apresente-se no local do problema. Muitas vezes a vítima (o cliente) não quer a reparação financeira pelo estrago causado. Ele só quer ter alguém em quem possa colocar a culpa. Ele quer que você veja a cara dele diante daquele desastre. Nessas horas, deixar de atender o telefone ou sair da cidade é a maneira mais simples de amplificar o tamanho do problema. Além disso, as pessoas têm um natural constrangimento de dizer “verdades” quando estão na presença do principal atingido. Assim, se você estiver no local, já reduz bastante o falatório;

3. Não tenha a ilusão de que vai eliminar todo o problema, utilizando técnicas de marketing e de relacionamento. Muitas vezes você precisa, além de reconhecer o erro, assumir as conseqüências financeiras que o problema traz. Nesses casos convém, antes de fazer o contrato, fazer uma análise de riscos e incluir cláusulas que tratem do assunto.
Em alguns casos, faça seguro. O seguro contra danos materiais causados por erros profissionais, além de aumentar a sua segurança, pode ser uma boa propaganda da sua empresa.





PADILHA, Ênio. 2006

Clique AQUI e deixe o seu comentário.

COMPRADORES PROFISSIONAIS - COMO ENCARAR?

(Publicado em 24/06/2007)



Nada aborrece mais a um bom engenheiro ou arquiteto do que um comprador metido a esperto!





Você conhece o tipo: ele trabalha em uma empresa que é cliente (ou cliente potencial) e é o responsável pela contratação do serviço. Fez vários cursos de negociação e aprendeu que um comprador deve sempre conseguir o melhor preço.
“Melhor preço”, para ele, significa “menor preço”. Mesmo que o menor preço o leve direto ao pior serviço. Não importa. Ele avalia seu próprio desempenho (como comprador) pelo valor correspondente à diferença entre o preço da proposta mais alta e aquela “mais em conta”.

Negociar, para ele, significa “baixar o preço”. É a única coisa que importa. Quanto mais ele conseguir baixar o preço mais ele se sente eficiente.

Alguns agem assim por arrogância, prepotência ou pelo simples exercício gratuito de poder.
Outros, por preguiça. Sabem que não é a forma mais inteligente de agir, mas não querem se dar ao trabalho de aprender como se faz. A maioria, no entanto, tem esse comportamento por pura ignorância. Eles não sabem o que estão fazendo.

É isso mesmo. Não se espante. Uma das características dos serviços de Engenharia e de Arquitetura é justamente o fato de que a maioria dos clientes não sabe discernir entre um bom serviço e um “dinheiro jogado fora”. Isso se deve justamente ao fato de que serviços de Engenharia e arquitetura são produtos cuja correta avaliação depende de conhecimentos técnicos que nem sempre são dominados pelo cliente.
A análise da relação custo x benefício nem sempre está ao alcance dos conhecimentos do comprador. Isto contribui para que os serviços de Engenharia e de Arquitetura sejam produtos que, além de "mal vendidos" são também muito “mal comprados".

Engenheiros e Arquitetos precisam se dar conta da importância estratégica do tal do Marketing Institucional. Isto significa, basicamente, o seguinte: mais de metade de tudo o que um engenheiro ou arquiteto fizer, em termos de marketing, deve ser institucional. Ou seja, com o objetivo de construir (na cabeça do cliente) uma imagem positiva da Engenharia ou da Arquitetura (e não apenas da sua empresa ou do seu produto).

O profissional precisa ter claro para si que o mercado não sabe comprar serviços de Engenharia e Arquitetura. Portanto, precisa aprender. E não há melhores “professores” disponíveis do que os próprios profissionais fornecedores desses serviços.

Temos de incorporar esse “conceito” como fundamental. Qualquer atividade de marketing precisa ter uma dose (50% pelo menos, repito) de institucional. É preciso “ensinar” ao mercado que a única maneira inteligente de comprar Engenharia e Arquitetura e fazer a análise da relação Custo x Benefício.

É preciso destacar a importância, a utilidade e a necessidade da Arquitetura e da Engenharia, antes mesmo de tentar convencer o cliente a contratar um determinado profissional em particular.

O combate aos compradores “espertos” com suas técnicas de compra infalíveis, cuja cultura já está disseminada no universo corporativo só se dará com inteligência e estratégia.

É um trabalho de todos os profissionais. E precisa ser incorporado às tarefas do dia-a-dia.





PADILHA, Ênio. 2007

Este post já tem comentários. Quer ler? Clique AQUI

É SIMPLES, MAS NÃO É FÁCIL

(Publicado em 20/07/2004)



Se você quer escrever e ser lido por milhares de leitores... aqui vai algumas dicas, truques e atalhos: minta, omita, seja condescendente com as fraquezas do leitor, encha o balão dele de gás... E você será um autor de muito sucesso.

Digo isso porque estou farto dessa literatura de aeroporto que vende facilidades, dicas, truques, fórmulas de sucesso, atalhos... tudo sob medida para pessoas que não querem ter trabalho de fazer a lição de casa. Gente que não quer admitir que é despreparado para certos empreendimentos ou tarefas e que precisaria, não de dicas, truques, fórmulas ou atalhos, mas de um caminho que, muitas vezes, é SIMPLES, mas nunca é FÁCIL

Talento, conhecimento, visão, inteligência, experiência, organização e disciplina não são características que se encontram em muita gente. Mas são características essenciais para transformar uma boa ideia em um empreendimento de sucesso.

Há um mito, fortemente estimulado por essa literatura de aeroporto: a de que é fácil ser empreendedor, criar e manter o seu próprio negócio.
Apenas um mito, infelizmente.

Os números não confirmam essa ideia. A grande quantidade de empresas que não completa seu primeiro ano de existência é assustador. O número (pequeno) das que conseguem comemorar cinco anos de atividade é igualmente impressionante.

A conclusão objetiva é a seguinte: tem alguma coisa que está sendo omitida pelos autores de livros, artigos, palestras e cursos sobre o assunto.

Essa coisa se chama realidade por inteiro.
Acontece que, escrever um livro, apresentar uma palestra ou ministar um curso e dizer aos leitores (ou a quem está na platéia) que existe apenas 20 por cento de chances de o empreendimento que ele tem em mente ser bem sucedido seria o mesmo que dar um tiro no próprio pé. Não é isso que o leitor quer ler nem é isso que a platéia quer ouvir. Os aplausos serão minguados e os lucros serão mínimos.
Esses autores sabem muito bem qual é o caminho das pedras (tanto é que eles próprios fazem muito sucesso). Mas o que eles dizem é o que o leitor quer ler ou ouvir: "Vai que é tua, Tafarel!"

Uma vez, numa entrevista, o jornalista me fez uma pergunta muito comum: "qual é o segredo do marketing empresarial bem feito?". Respondi o que eu respondo sempre: não existe SEGREDO. Tudo o que faz uma empresa ser melhor sucedida do que outra são técnicas ou recursos que todo mundo sabe que funcionam. São coisas simples baseadas naquelas qualidades citadas há pouco (talento, conhecimento, visão, inteligência, experiência, organização e disciplina). Reunir e gerir essas qualidades é o caminho simples que precisa ser percorrido. É simples, mas não é fácil.

Mas as pessoas querem outra coisa: querem fazer faculdade em dois anos em cursos noturnos (de preferência sem aulas na sextas-feiras, que é dia da cerveja); Querem ler drops (textos curtos e mastigadinhos, com letras grandes e muitas ilustrações); Querem cursos divertidos, dinâmicos e interativos (nada de reflexões ou filosofias); Querem trabalhar em ambientes sem pressão e em mercados protegidos; Querem que não sejam feitas comparações (especialmente as que levem em conta qualidades que elas não têm, porque não se deram ao trabalho de conquistar).

Querem, essencialmente, ser estimuladas a acreditar que bastam as boas intençòes, a força de vontade, pensamento positivo e a auto-estima em alta.

Essa gente está enriquecendo muitos espertos!





PADILHA, Ênio. 2004

Este post já tem comentários. Quer ler? Clique AQUI

RESPOSTA A UMA PERGUNTA
OBRE TABELA DE PREÇOS

(Publicado em 28/03/2011)



Uma colega arquiteta, que chamaremos de Maria, me enviou uma pergunta por e-mail pedindo minha opinião sobre uma coisa que ela diz acreditar: "seria interessante se houvesse uma maneira de calcular os nossos honorários, através de alguma fórmula, pois isso seria o princípio de um ajuste e moralização dos profissionais"





Prezada arquiteta Maria. Acho que entendi a sua preocupação e concordo inteiramente com o seu ponto de vista. Sempre fui favorável de que haja uma "referência" de honorários que os profissionais possam seguir.

No entanto, sou contra qualquer tipo de TABELA DE HONORÁRIOS, mesmo como referência. Sou contra a maneira equivocada com que essa "referência" acaba sendo colocada pelas entidades de classe. Vira uma Lei. Pior: uma lei que não pega. Uma lei que ninguém cumpre e que fica por aí, assombrando as relações entre os colegas profissionais.

O que eu acho que as entidades de classe deveriam desenvolver são programas de "educação empresarial" para os seus associados (especialmente os mais novos). Seminários, Palestras e Cursos para que o profissional aprenda como funcionam as equações de Receitas/Despesas, CustosDiretos/Custos Indiretos, Obrigações Trabalhistas, Impostos, Taxas...

Tenho certeza de que, se um profissional aprender a fazer as contas direitinho, de quanto custa exercer (dignamente) a Arquitetura ou a Engenharia (dentro da lei, dentro do padrão de competência e profissionalismo que se espera de alguém com pretensões de ser bem-sucedido), ele não irá ceder às tentações de cobrar abaixo da linha de dignidade.

Veja bem: eu disse Linha de Dignidade.

Linha de Dignidade, na minha opinião, é o profissional, com o seu trabalho, conseguir:

a) Pagar bons salários aos seus empregados e garantir-lhes todos os benefícios de um bom emprego;

b) Manter seu escritório funcionando normalmente (aluguel, água, luz, telefone, internet, material de escritório, limpeza, manutenção...);

c) Pagar seus impostos em dia;

d) Manter atualizados seus principais equipamentos de trabalho (computadores, softwares, equipamentos de medição);

e) Investir permanentemente em atualizações profissional (assinatura de revistas técnicas, participação em palestras, cursos e congressos, visitas às feiras e outras viagens de estudo);

f) Ter uma renda pessoal que seja correspondente a um bom emprego na inicitaiva privada (incluindo benefícios como férias e décimo terceiro salário), para que, com essa renda possa ter um bom automóvel, uma casa confortável, educação de qualidade para seus filhos, assinar um bom jornal, ter TV por assinatura, viajar nos feriados e nas férias...

Aprender a pensar nisso tudo nos leva diretamente à equação de precificação correta do nosso trabalho.

Ninguém atira no própio pé por vontade própria. Nenhum arquiteto ou engenheiro tem o objetivo de arruinar o mercado onde ele mesmo colhe seus frutos.

Os profissionais que mergulham em preços absurdamente baixos são, muitas vezes, apenas IGNORANTES.

Ignoram que estão destruindo suas próprias carreiras. Ignoram que estejam condenando a si próprios ao submundo da Arquitetura e da Engenharia, com seus computadores ultrapassados, softwares piratas, escritório clandestino, empregos informais, desinformação profissional... Enfim, uma vida profissional indigna.

Se as entidades de classe desenvolverem atividades que ataquem essa IGNORÂNCIA, não será preciso, nunca, recorrer a nenhuma Tabela de Honorários.

De alguma forma, eu me sinto fazendo a minha parte nesse trabalho, pois os meus livros e os meus cursos e palestras tentem atacar exatamente esse inimigo: a ignorância empresarial.

E (verdade seja dita) também não posso reclamar da falta de atenção dos colegas, pois muitos têm comprado meus livros e os meus cursos e palestras sempre têm boa participação.

Só devemos esperar, então, é que mais e mais gente entre nessa verdadeira guerra. Mais gente escrevendo sobre esse assunto. Mais gente produzindo bons cursos e palestras. Mais recursos dos CREAs e das Entidades de Classe destinados aos seminários e congressos que ataquem essa questão...

...e teremos, no futuro, uma profissão muito mais organizada e profissionais muito mais felizes.

É isso.





PADILHA, Ênio. 2011




Este artigo é baseado no capítulo 11 do livro NEGOCIAR E VENDER SERVIÇOS DE ENGENHARIA E ARQUITETURA. 5ª ed. Balneário Camboriú: 893 Editora, 2018. pág. 176

Clique AQUI e deixe o seu comentário.

NOSSAS REGRAS PARA COMENTÁRIOS DO LEITOR

(Essas regras foram estabelecidas em 2006, quando o site começou a receber comentários)



Em 2006 meu site completou 10 anos e teve uma novidade: a possibilidade de os leitores escreverem comentários diretamente na página de cada post (antes isso era feito por e-mail).

Já naquela época havia uma praga na internet que eu não suportava: os anônimos. Sempre tive desprezo por comentaristas anônimos. Eles sempre representaram o que há de pior na internet. Sempre fui da opinião de que se o sujeito não tem coragem de defender suas próprias ideias ele deve ficar quieto.

E nem me venham com conversa de que a pessoa pode ser prejudicada se disser o que pensa com o seu próprio CPF porque pra mim isso é papo de covarde. Eu já cansei de perder contratos e oportunidades porque pessoas não gostam do que eu penso (e escrevo).

Então, para evitar esses dissabores, publiquei no site, e mantenho até hoje, as NOSSAS REGRAS PARA PUBLICAÇÃO DE COMENTÁRIOS DE LEITORES





Imagem de Clker-Free-Vector-Images por Pixabay



Embora a maioria do material publicado seja direcionado aos Administradores, Engenheiros, Arquitetos, Agrônomos e demais profissionais da área tecnológica, todos os leitores são muito bem-vindos ao nosso site.

Desejamos que todos sintam-se em casa e interajam com o site e com os demais leitores.

No entanto, é preciso deixar claro as nossas REGRAS PARA COMENTÁRIOS que são as seguintes:

1. É garantida a livre manifestação de opinião, desde que mantido o devido decoro;

2. É permitido discordar de qualquer material publicado (com ou sem argumentos convincentes);

3. É permitido (e recomendável) que cada comentário leve em consideração não apenas o material publicado como também os comentários anteriores. Portanto, o leitor poderá fazer um comentário sobre um comentário anterior;

4. Não são permitidas ofensas aos colaboradores nem a terceiros, muito menos a autores de outros comentários (os comentários que infringirem esta regra serão parcialmente cortados ou totalmente suprimidos);

5. Não são aceitos comentários de anônimos. O anonimato é uma praga na internet e nós estamos tentando evitar a sua proliferação;

6. O autor escreverá tréplicas...
• Quando entender que é necessária alguma explicação adicional;
• Se algum leitor solicitar alguma explicação;
• Se algum leitor fizer alguma pergunta.






PADILHA, Ênio. 2006

Clique AQUI e deixe o seu comentário.

REFERÊNCIAS IRRELEVANTES

(Publicado em 21/09/2020)



Virou moda. Toda vez que eu vejo uma live (especialmente no Instagram) o que eu mais escuto é o rapaz ou moça se referindo a alguém e dizendo que a tal pessoa é REFERÊNCIA naquele assunto. Na maioria dos casos é, claramente, um exagero, pra dizer o mínimo. Ou um erro grosseiro, se quisermos chamar a coisa pelo nome.

Não se pode chamar de REFERÊNCIA um indivíduo que não tenha produção consistente de conteúdo.

Então, antes de dizer que uma determinada pessoa é referência nessa ou naquela área é preciso verificar se essa pessoa publicou livros, apresentou cursos ou palestras realmente originais na sua área. Se ela ou ele tem um discurso reconhecido ou se é responsável por por alguma mudança na maneira de pensar das pessoas que lidam com aquele assunto.
A não ser assim essa pessoa não é referência de coisa nenhuma. É apenas mais um papagaiando o que outros já disseram.





Imagem de pasja1000 por Pixabay



Pra mim, por exemplo, serviu como referência, no início da minha carreira, o Manoel Henrique Campos Botelho, do qual eu li praticamente todos os livros. Eu gostava da maneira como ele escrevia e sobretudo da forma como ele abordava os temas de maneira criativa e bem humorada, diferenciando-se dos autores convencionais e quebrando paradigmas. Aliás, eu falei disso, no primeiro capítulo do livro MANUAL DO ENGENHEIRO RECÉM-FORMADO, quando fiz uma contextualização histórica dos manuais de engenharia.

Para uma pessoa ser chamada de referência ele precisa preencher alguns requisitos:
• Tem de ser reconhecidamente inteligente;
• Precisa ser alguém corajoso, porque ele terá de dizer coisas que ninguém está dizendo ou que nunca disseram (o que é diferente de dizer coisas que poucos estão dizendo. Poucos é muito diferente de ninguém);
• Tem de ser didático, porque ele terá de conseguir explicar alguma coisa que a maioria das pessoas nunca havia conseguido entender (e a explicação que essa pessoa apresenta acaba modificando a quantidade de pessoas que consegue entender aquilo);
• Tem de ser, sobretudo, um estudioso. Tem de ter leitura, produção intelectual. Não estou falando apenas de ter escrito artigos ou livros, mas também de manifestações públicas, através de conferências ou cursos que tenham sido capazes de acrescentar alguma coisa àquele campo do conhecimento. O arquiteto Walter Maffei, por exemplo, embora tenha poucas publicações impressas, construiu uma sólida reputação com seus cursos e palestras (especialmente nas décadas de 1990 e 2000).

Em outras palavras, você deve se perguntar: "se esta pessoa (a quem você está chamando de referência) deixasse de existir (assim como o trabalho dela, o canal do YouTube, o perfil no Instagram, o blog, a página no Facebook...) ela faria falta? Haveria alguma lacuna, algum conhecimento, algum desenvolvimento nesta área que não estaria presente?"

Retiradas todas essas questões, talvez a pessoa que você chama de Referência seja um bom professor (o que não é pouco. Merece o reconhecimento e o aplauso). Talvez seja uma pessoa com a capacidade de entender claramente as coisas que já estão postas e com a capacidade de traduzir isso para uma linguagem tradicional, ainda que utilizando argumentos que já tenham sido desenvolvidos por verdadeiras referências que tenham vindo antes dele. Talvez seja um profissional competente e dedicado e que seja um bom exemplo para os seus pares. Isso é muita coisa.

Mas isso não torna essa pessoa uma referência, porque nada do que ele ou ela está dizendo (no Instagram, no YouTube ou seja lá onde for) é, realmente, uma novidade. Não constitui algo novo, um tijolo realmente necessário e que contribui para a construção do edifício do conhecimento naquele campo.

E não importa quantos zilhões de seguidores essa pessoa tenha. Isso não o tornará relevante, a não ser para os anunciantes e patrocinadores.





PADILHA, Ênio. 2020





Leia também: ABRE TEU OLHO, COLEGA ARQUITETO
Mas, se o que você quer é desenvolver-se profissionalmente, contribuir para o desenvolvimento do mercado, valorizar a profissão e ter um crescimento profissional responsável e sustentável... abre teu olho, colega arquiteto!


Este post já tem comentários. Quer ler? Clique AQUI

CALIGRAFIAS DE AFETOS

(Publicado em 23/09/2020)



Eu sempre gostei muito de poesia. Quando jovem (principalmente no tempo da faculdade) lia muitos livros de poemas. De todos os tipos. Tive até uma fase simbolista, com Augusto dos Anjos, Cruz e Souza e Baudelaire... melhor nem lembrar.
Os poetas sempre me encantaram pela capacidade de driblar a lógica e propor uma dança diferente da música que estivesse tocando. Era sempre um exercício de prazer.

Fazia tempo que eu não lia um bom livro de poemas. Então vocês podem imaginar o meu entusiasmo quando o Farlley Derze anunciou a publicação do seu livro Caligrafias de Afetos Fiquei ansioso pela chegada do correio. Chegou nesta semana.





Detalhe da capa do livro de Farlley Derze



Ah, que leitura deliciosa! É claro que eu não sou especialista nem crítico literário. Leio poemas por puro deleite. Mas qualquer coisa escrita pelo gênio do Farlley Derze há de ser fascinante.

Farlley escreve poesia em prosa como poucos. É sutil, envolvente, profundo e, muitas vezes, certeiro e cortante. Mas nunca é chato.

Os poemas estão publicados no livro na ordem cronológica em que vieram à luz. Mas não tente o leitor fazer uma relação entre o que está escrito e o que se passava nessa ou naquela época. Não é assim que funciona a cabeça do poeta.

Ali tem lampejos, insights, trovões, idas e vindas ao passado e à alma da pessoa amada. Em muitos poemas (especialmente nos que vêm depois de 2013) existe um exercício delicioso de vocabulário que encanta o leitor. Não há como não se deliciar com um poema como "Moto Perpétuo", que parece um tornado levantando o leitor no ar e o mantendo girando sem parar, até a exaustão.

Enfim, como eu disse. Não sou crítico literário. Leio poemas por prazer. E eu posso dizer que este livro me deu um prazer imenso. Me fez sentir saudades do tempo em que eu era mais romântico e lia poemas no café-da-manhã.





PADILHA, Ênio. 2020

Este post já tem um comentário. Quer ler? Clique AQUI

VOTAR OU NÃO VOTAR É DECISÃO SUA.
MAS É UMA ATITUDE QUE PRODUZ CONSEQUÊNCIA!

(Este artigo foi publicado em 03/08/2005. Agora, em 2020, eu apenas atualizei os números)



Cerca de 970 mil profissionais do sistema estão aptos a votar e serão convidados. Menos de 70 mil aceitarão o convite. Trata-se das eleições nas quais serão escolhidos, pelo voto direto, os presidentes dos 27 CREAs e também o presidente do CONFEA.

Esses cerca de 70 mil já decidiram que irão votar (e já decidiram em quem votar). Os outros quase 900 mil estão divididos entre os que já decidiram que não irão votar e os que ainda estão em dúvida.

Aos que já decidiram NÃO VOTAR, não tenho a pretensão de demovê-los. São pessoas adultas, inteligentes, de nível superior. Sabem o que estão fazendo e certamente conhecem as consequências desse ato.

Aos indecisos, no entanto, tenho um comentário a fazer:





Imagem: OitoNoveTrês



A imensa maioria dos profissionais vira as costas para o processo eleitoral por achar que isso enfraquece o sistema e diminui a força dos dirigentes que acabam sendo eleitos.

Triste engano!

Essa baixa participação eleitoral é o que mais interessa aos que querem se eleger e não prestar contas dos seus atos para ninguém.

Eleições no sistema profissional são muito diferentes das eleições comuns (prefeito, governador, presidente da república...) pois não têm apelo popular, não têm atenção da mídia e não têm repercussão duradoura.

Essas eleições (nos CREAs e no CONFEA) acabam sendo decididas, na maioria das vezes, por conchavos de gabinetes, concessões de vantagens aos cabos eleitorais (as chamadas Lideranças Regionais) e articulações políticas eleitoreiras. Essa prática só é possível por causa da baixíssima taxa de participação dos profissionais no processo eleitoral (10 a 20%, na média).

Quem vota (ou busca votos) é quem, na prática, tem poder para fazer cobranças. Com tão baixa participação, fica muito barato arregimentar correligionários e cooptar adversários, pois, no fim das contas, fica tudo no nível da confraria dominante. Os votos que aparecem nas urnas são todos conhecidos. São votos dos sítios particulares dessa ou daquela liderança.

Quem tiver o controle sobre os "líderes" terá o controle sobre as eleições. É isso que garante a inércia do sistema. O sujeito chega lá e nunca mais sai.

Por isso a minha campanha tem sido SEMPRE pelo voto.

CONHEÇA OS CANDIDATOS, LEVANTE-SE DA CADEIRA E VOTE.
Mais do que isso: convença seus amigos para votar também. Vamos encher as urnas com centenas de milhares de votos. Vamos passar de 10 para 30, 40, 60% de votos. Isso dará aos eleitos muito mais responsabilidade. Fará com que, chegando aos cargos de direção, eles sejam menos arrogantes, menos pedantes, e mais preocupados em resolver os verdadeiros problemas dos profissionais e não apenas os problemas do seu grupo de amigos.

VOTE! Convença seus colegas a votar! Não importa em quem. Se um dos candidatos lhe agradar, vote nele; Se todos os candidatos parecerem bons, escolha o que lhe parecer mais confiável. Se nenhum dos candidatos merecer a sua confiança, vote em branco (voto em branco significa "nenhum deles serve")

Votar em branco não é a melhor das opções. É a última opção. É uma forma de mandar um recado aos dirigentes: não somos galinhas mortas. Não somos apenas números nas estatísticas.

Não somos apenas um milhão de otários que pagam a conta!





PADILHA, Ênio. 2020

Este post já tem comentários. Quer ler? Clique AQUI

Digite uma palavra (no título do artigo):   

Digite uma palavra (no corpo do artigo):   

www.eniopadilha.com.br - website do engenheiro e professor Ênio Padilha - versão 7.00 [2020]

powered by OitoNoveTrês Produções

4622740