A história da engenharia de qualquer nação ou coletividade confunde-se, em grande parte, com a própria história
do desenvolvimento.

PEDRO CARLOS DA SILVA TELLES

Engenheiro, professor e escritor no livro
História da Engenharia no Brasil (Séculos XVI a XIX), 2ª Edição

O destino não é uma questão de oportunidade. É uma questão
de escolha. Não é algo para se ficar esperando,
é algo a ser conquistado.

WILLIAM JENNINGS BRYAN

(1860-1925)
Advogado e político norte-americano em República ou Império?
A Questão das Filipinas
, página 35

A ciência não pode resolver o mistério final da natureza.
E isso é porque, em última análise, nós mesmos somos
parte da natureza e, portanto, parte do mistério que
estamos tentando resolver.

MAX PLANCK

(1858-1947)
Físico alemão, considerado o pai da física quântica em
Onde está indo a ciência (1932)

Eu sei que se o movimento pela paz leva sua mensagem
de confiança ao povo negro uma força poderosa pode ser assegurada em busca do objetivo maior de toda a humanidade.
E o mesmo vale para o trabalho e os grandes setores
democráticos da nossa população.

PAUL ROBESON

(1898-1976)
Escritor e ativista americano dos direitos políticos e civis,
no livro Paul Robeson fala: escritos, discursos, entrevistas, página 339

Um professor sempre afeta a eternidade.
Ele nunca saberá onde sua influência termina.

HENRY BROOKS ADAMS

(1838-1918)
Historiador e Jornalista norte-americano no livro
A educação de Henry Adams, página 243

TAREFAS E RESPONSABILIDADES
EM UM ESCRITÓRIO DE ARQUITETURA E ENGENHARIA

(Publicado em 29/06/2014)



No Brasil funciona assim: a faculdade de Engenharia ensina Engenharia (e só Engenharia). A faculdade de Arquitetura ensina Arquitetura (e só Arquitetura). Nenhuma das duas ensina como é que se faz para ganhar dinheiro vendendo Engenharia ou Arquitetura.

A formação dos Arquitetos e dos Engenheiros, no Brasil, privilegia o conteúdo técnico e dá menos importância à formação gerencial e empreendedora. Mesmo nas escolas que incluem na grade curricular disciplinas da área das Ciências Sociais Aplicadas não existe uma orientação no sentido de dar ao aluno o senso de importância desse conhecimento.

O resultado disso é que os profissionais formados (até mesmo os formados nas melhores universidades) apresentam uma lacuna importante na sua formação: os conhecimentos da área de Administração e Empreendedorismo.

Os profissionais, via de regra veem a Arquitetura, ou a Engenharia, como uma atividade profissional. Não como um negócio. São formados para o trabalho, mas não são formados para o mercado do trabalho. Não têm noções sólidas de Gestão da Carreira e menos ainda de como criar ou gerir empreendimentos. Por conta disso, raramente uma empresa de Arquitetura ou de Engenharia se torna lucrativa e bem sucedida antes de 15 ou 20 anos de existência. Nesses casos pode-se afirmar que o sucesso se deu muito mais como resultado de um processo de tentativas e erros do que como resultado de estratégias concebidas e implementadas à luz dos conhecimentos de Administração disponíveis para os Gestores.

As Teorias da Administração (que é uma Ciência Social Aplicada) determinam que ela trata, basicamente, das Funções do Administrador (Prever: visualizar o futuro e traçar o programa de ação; Organizar: constituir o duplo organismo material e social da empresa; Comandar: dirigir e orientar o pessoal e Coordenar: ligar, unir harmonizar todos os atos e todos os esforços coletivos);
Tudo isso aplicado às quatro grandes Áreas da Administração (Administração da Produção; Administração de Pessoas; Administração Financeira e Administração do Mercado – Marketing).

Os engenheiros e arquitetos, via de regra, não possuem esses conhecimentos quando concluem seus cursos superiores.

Além disso (do desconhecimento dessas questões gerenciais e administrativas) acrescenta-se o fato de que, no campo, as principais instituições capazes de prover os profissionais de treinamento capaz de suprir essas lacunas, caminham no sentido exatamente contrário. As entidades de classe, sindicatos, conselhos profissionais investem praticamente toda sua energia e recursos financeiros na promoção de seminários, congressos, palestras e cursos de capacitação na área do conhecimento técnico e nunca (ou quase nunca) nas áreas de gestão ou de administração de negócios.

Por outro lado, depois de três ou quatro anos no mercado, os profissionais percebem que esta atividade (Administração e Gestão do Escritório) torna-se à cada dia mais necessária e crucial, sendo este um dos temas que mais importantes na agenda dos profissionais empreendedores.

O ESCRITÓRIO DOS SONHOS
O sonho de consumo de 99 em cada 100 arquitetos ou engenheiros que abrem seu próprio escritório é construir para si um local de trabalho onde ele tenha liberdade de escolhas sobre horários, autonomia sobre a organização do ambiente. E, claro, ter as melhores condições para a realização do seu trabalho como arquiteto (ou engenheiro).

No escritório ideal o profissional encontra todos os dias, pela manhã, o trabalho (projeto) que precisa ser realizado e não há nenhuma pendência burocrática, administrativa ou financeira que apareça para atrapalhar o sagrado ato de projetar

Evidentemente, é importante que esse serviço seja muito bem remunerado e que o fluxo de trabalho seja permanente e adequado (nem trabalho demais nem de menos). É bom não esquecer também que não pode haver outras pessoas envolvidas no processo produtivos. A não ser, claro, que elas saibam exatamente o que fazer e não precisem de explicações e ensinamentos para realizar as suas tarefas.

Como eu sempre digo, "Sonhar é de graça. Então a gente pode sonhar com o que quiser, né?"

O quadro descrito acima não chega a ser uma utopia. Alguns profissionais conseguem isso. Mas, infelizmente, para a maioria deles, isso não passa de um sonho. Porque, para que um projeto de arquitetura (ou de engenharia) seja elaborado, existem as coisas importantes que precisam ser enfrentadas, desde as questões de administração do processo produtivo (a sistematização dos processos e a elaboração das rotinas) até as questões do mercado (os serviços precisam ser contratados. Alguém precisa lidar com os clientes antes de eles virarem clientes. Alguém precisa colocar o trabalho sobre a mesa do profissional); Existem ainda as questões financeiras (é preciso abrir as portas para que o dinheiro entre no escritório e é preciso ter controle absoluto sobre o que é feito com esse dinheiro, depois que ele entra); e existem as questões de pessoas (como contratar e como manter a disposição e a competência dos membros da equipe).

Definitivamente, abrir um escritório de Engenharia ou de Arquitetura não é tarefa para principiantes.

AS TAREFAS DE UM ESCRITÓRIO
Para que um Escritório de Arquitetura/Engenharia funcione normalmente (com qualidade e produtividade) existem dois grupos distintos de tarefas que precisam ser realizadas:
• (TT) Tarefas Técnicas
• (TA) Tarefas Administrativas

Nos dois grupos as tarefas são subdivididas em
--- (1) Tarefas de Nível Superior
--- (2) Tarefas de Nível Médio
--- (3) Tarefas operacionais


A figura 1 apresenta um diagrama onde essas tarefas são representadas. Na sequência iremos discorrer sobre cada uma dessas tarefas.



Figura 1 - Tarefas Técnicas e Administrativas num Escritório de Arquitetura ou de Engenharia



As TAREFAS TÉCNICAS (ou Tecnológicas) são, geralmente, associadas à produção dos serviços prestados pelo escritório. Estão ligadas especificamente à formação do profissional titular. São tarefas que não podem ser realizadas à menos que a pessoa tenha formação técnica nas áreas de Arquitetura ou Engenharia;

As TAREFAS ADMINISTRATIVAS, são, geralmente, associadas à manutenção do funcionamento normal do escritório. São as atividades necessárias para que o escritório dê ao arquiteto ou engenheiro as condições de produzir os serviços técnicos fornecidos ao mercado.




AS TAREFAS TÉCNICAS



As TAREFAS TÉCNICAS DE NÍVEL SUPERIOR são as tarefas que (1) Exigem conhecimentos técnicos que somente são obtidos na formação superior de Arquitetura ou de Engenharia ou (2) são tarefas que exigemuma responsabilidade técnica que somente pode ser atribuída a alguém com registro técnico profissional:

Entrevistar os clientes;
Fazer os levantamentos de campo;
Fazer os estudos preliminares e/ou consultas prévias;
Fazer os estudos de viabilidade técnica
fazer os projetos (dar as definições e tomar as decisões técnicas);
Definir os relatórios, desenhos, planilhas e tabelas;
Escrever as memórias descritivas etc)
Fazer as especificações dos materiais a serem utilizados nas obras projetadas
Levantar as Listas de Material (quantitativos)
Negociar Parcerias Técnicas e Comerciais
Fazer os contatos técnicos pós-venda.
Fazer pesquisas sobre novos materiais ou tecnologias;
Elaborar protocolos de entrega de serviço;
Elaborar o Manual de Uso e Manutenção dos produtos fornecidos;
Assumir a Responsabilidade técnica pela execução (sua própria, de empregados ou de terceiros) das tarefas que resultem nos produtos que o escritório disponibiliza ao mercado;
Definir, em sintonia com o Administrador de Recursos Humanos, o perfil das pessoas que farão parte da equipe de trabalho do escritório;
Definir, em sintonia com o Administrador do Mercado, o escopo dos serviços oferecidos ao mercado: o que está incluído (elementos principais e acessórios) e o que não está incluído;

As TAREFAS TÉCNICAS DE NÍVEL MÉDIO são as tarefas que exigem conhecimentos técnicos que, geralmente, são obtidos em formação de nível médio e que não implicam a responsabilização técnica prevista em lei.

Geralmente são tarefas que estão num nível acima das tarefas operacionais (e, portanto, não podem ser assumidas, por exemplo, pela secretária do escritório. Mas também não são tarefas que exigem formação superior em Arquitetura ou Engenharia. Normalmente essas atividades são assumidas pelo próprio Arquiteto/Engenheiro. E consomem muito tempo e energia:

Fazer desenhos;
Montar planilhas e tabelas;
Escrever as memórias descritivas;
Elaborar Cronogramas de projetos e obras;
Fazer orçamento de obras;
Elaborar modelos e bases para a biblioteca do software de desenho (CAD);
Elaborar modelos e bases para a biblioteca do software de modelamento (BIM);
Fazer os registros da obra, em fotografias ou vídeos

As TAREFAS TÉCNICAS OPERACIONAIS, também chamadas de Rotinas Técnicas, são as tarefas que exigem treinamento técnico. Mas esse treinamento pode ser assimilado por pessoal sem formação de nível médio ou superior.

Providenciar as cópias e montar os projetos/relatórios para entrega ao cliente;
Montar as pastas de serviços realizados;
Digitar formulários técnicos;
Digitalizar dados de levantamentos de campo




AS TAREFAS ADMINISTRATIVAS



As TAREFAS ADMINISTRATIVAS DE NÍVEL SUPERIOR, também consideradas Tarefas de nível estratégico são, geralmente, as funções exercidas ou tarefas executadas pelo proprietário, pelos sócios ou por executivos contratados. São as tarefas de responsabilidade Administrativa.

Distribuir e coordenar as tarefas de rotina dos empregados (Ordem do Dia);
Distribuir e coordenar as tarefas da equipe de projeto;
Desenvolver os Algoritmos (sistematizar os procedimentos de produção);
Desenvolver os Manuais Internos de Procedimentos Operacionais;
Definir os arranjos de espaço físico e equipamentos para que os serviços sejam adequadamente produzidos;
Estabelecer as estratégias de controle de material de consumo;
Assumir a Responsabilidade civil e comercial pelos produtos que a empresa disponibiliza ao mercado;
Determinar o tempo necessário para a execução de cada serviço disponibilizado pelo Escritório ao mercado;
Planejar e implementar o plano de cargos, funções e remunerações;
Planejar e executar os processos seletivos
Planejar e organizar os treinamentos do pessoal
Negociar férias, feriados e folgas com os empregados;
Negociar o dia-a-dia com os empregados
(atrasos, faltas, folgas, adiantamentos, férias...)
Administrar o contato com os bancos e outros órgãos financiadores;
Controlar o movimento das contas bancárias;
Providenciar abertura de alternativas de recebimento
Controlar o Fluxo de Caixa;
Fazer análise financeira das propostas comerciais emitidas pelo escritório;
Fazer análise financeira dos orçamentos recebidos;
Determinar os preços dos serviços oferecidos ao mercado pelo Escritório;
Aprovar os investimentos.
Determinar os clientes de interesse do Escritório
Determinar os serviços que serão disponibilizados ao mercado pelo Escritório;
Planejar e executar os contatos de prospecção de novos Clientes
Planejar e executar os impressos de comunicação institucional do Escritório (Cartão de Visitas, Folder, Portifólio, etc)
Negociar Parcerias Comerciais
Planejar e executar as negociações com os clientes, desde a prospecção até o fechamento dos contratos;
Conduzir as Negociações (comerciais) com os clientes
Elaborar as propostas comerciais
Conceber e executar a identidade visual do Escritório bem como todos os instrumentos de comunicação direta.
Conduzir as ações de pós-venda.
Planejar e Executar as campanhas de Promoção do Escritório e dos Serviços oferecidos ao mercado.
Planejar e Executar os ambientes de trabalho no que diz respeito ao impacto que eles terão na percepção que os clientes podem vir a ter sobre o Escritório e seus produtos;
Definir o modelo geral para os Contratos de Prestação de Serviço
Conceber as estratégias de obtenção de Diferenciais Competitivos
(que terão como decorrência a vantagem competitiva);

As TAREFAS ADMINISTRATIVAS DE NÍVEL MÉDIO, também consideradas Rotinas Administrativas são tarefas que exigem conhecimento de administração que podem ser obtidos em treinamentos especiais ou na formação de nível médio.

Acionar e administrar os fornecedores operacionais (cartucho de impressora, suporte para os computadores, serviços de cópias, limpeza, encanador, eletricista, etc)
Atualizar registro de serviços em andamento
Controlar e providenciar documentação dos veículos
Controlar e providenciar licenças dos softwares
Organizar e dar suporte aos computadores
Controlar a folha de pagamentos (e encargos sociais correspondentes)
Controlar o extrato das contas de telefone, de Internet e de Energia;
Fazer o controle da contabilidade (ou o controle da relação com o Contador);
Fazer os contatos para cobrança
Organizar documentos para enviar ao Contador
Fazer atualização nos registros do Financeiro
Determinar o Custo Fixo Operacional do Escritório;
Determinar os Custos Diretos de Produção de cada Serviço disponibilizado pelo Escritório ao mercado;
Administrar o WebSite
Administrar os canais de comunicação do escritório com o mercado
(Telefones, website, e-mail, etc)
Fazer os contatos de pós-venda.
Manter registro e controle das Negociações em andamento
Elaborar os Contratos de Prestação de Serviço (a partir do modelo geral)

As TAREFAS ADMINISTRATIVAS OPERACIONAIS, também consideradas Rotinas Operacionais são tarefas que não exigem treinamento especial e sim a prática diária dos serviços rotineiros e que podem ser assimiladas por pessoal sem formação de nível médio ou superior

Abrir o escritório, fazer a limpeza diária, retirar o lixo, etc
Atender telefone e anotar recados
Levar e trazer documentos nos órgãos públicos
Preencher ART
Providenciar a documentação necessária (ART, Cartas, Formulários, Protocolos)
Providenciar a manutenção dos veículos (lavação e abastecimento, troca de óleo)
Providenciar as cópias e montar os projetos/Relatórios para entrega ao cliente
Verificar estoque de materiais de consumo (fazer lista para compras)
Efetuar as cobranças;
Efetuar os pagamentos;
Emissão de Notas Fiscais e Recibos;
Fazer os lançamentos de Contas a receber e Contas a pagar;
Providenciar os pagamentos nos bancos
Despachar encomendas e correspondências
Enviar cartões de Aniversário, Natal e outras congratulações;
Fazer registro e atualização no cadastro de clientes, fornecedores e parceiros




A PIRÂMIDE DAS TAREFAS



A figura 1 serve para o entendimento e análise do nível de eficiência do escritório. Na pirâmide proposta as áreas representadas correspondem ao tempo consumido (em horas) pelo pessoal do escritório para realizar todas as tarefas do escritório.

Nesta pirâmide
T é o tempo total de horas trabalhadas no escritório;
TT1 é o tempo de horas consumidas em tarefas técnicas de nível superior;
TT2 é o tempo de horas consumidas em tarefas técnicas de nível médio;
TT3 é o tempo de horas consumidas em tarefas técnicas operacionais;
TA1 é o tempo de horas consumidas em tarefas administrativas de nível superior;
TA2 é o tempo de horas consumidas em tarefas administrativas de nível médio;
TA3 é o tempo de horas consumidas em tarefas administrativas operacionais;

(observar que uma tarefa será considerada de nível superior se ela não estiver sistematizada ou não tiver sido delegada para alguém da equipe. Se ela estiver sendo realizada pelo titular do escritório e exigir um processo de decisão cada vez que for realizada então ela estará nessa categoria de tarefas)

Na pirâmide das tarefas um escritório será considerado bem administrado quando a base da pirâmide (as tarefas operacionais) representarem o maior percentual de ocupação das horas trabalhadas no escritório.



Figura 2 - Distribuição das tarefas em um Escritório Iniciante


Observe que, num escritório iniciante, todas as tarefas são do tipo Técnica ou Administrativo de nível superior. Tudo precisa ser pensado, analisado e definido. Porque tudo está sendo feito pela primeira vez. Não por acaso, o escritório iniciante NÃO É PRODUTIVO.

O momento mais IMPRODUTIVO do escritório é justamente quando TODAS as tarefas são de nível superior (precisam ser pensadas, analisadas e definidas, porque não existe uma referência anterior de o que fazer ou como fazer).



Figura 3 - Distribuição das tarefas em um Escritório Produtivo


O momento mais produtivo do escritório, portanto, seria o extremo oposto, quando tudo já foi pensado, analisado e definido. O mínimo de tarefas do escritório é de nível superior e a maior parte é de nível operacional.

Se nada for sistematizado, continua assim.




CONCLUSÕES



É importante observar que uma tarefa (técnica ou administrativa) de nível superior é caracterizada pelo fato de que ela exige o pensamento racional antes da execução. Significa que antes de executar a tarefa é preciso decidir alguma coisa sobre como ela será feita.

Já as tarefas (técnicas e administrativas) de nível médio são funções de múltiplas variáveis. Por isso a pessoa precisa ter algum conhecimento prévio para identificar a função, identificar as variáveis e saber organizar, equacionar e resolver o problema com as variáveis e técnicas fornecidas (ou disponíveis).

As tarefas (técnicas ou administrativos) operacionais, por sua vez, são funções de uma única variável. Tipo "pegue isto e faça aquilo". São ordens diretas sem possibilidade de dúvida ou necessidade de decisão por parte do executor.

Se você analisou a lista fornecida (Tarefas Técnicas e Administrativas) já deve ter percebido que fazer um Escritório de Arquitetura/Engenharia funcionar direito não é uma tarefa para principiantes. É preciso algum conhecimento de Administração, o domínio de algumas habilidades administrativas e o desenvolvimento de algumas ferramentas de gestão eficazes e eficientes para que as coisas funcionem de maneira produtiva e lucrativa.

Observe que as maiores dificuldades enfrentadas pelos profissionais em um Escritório não são de Arquitetura ou de Engenharia e sim dificuldades administrativas.

É preciso entender que Não se pode administrar (bem) um escritório usando apenas a intuição, o bom senso e a criatividade. É preciso conhecer e utilizar as técnicas e recursos fornecidos pelas Teorias da Administração.

Um Escritório de Arquitetura ou de Engenharia é um NEGÓCIO. É regido pelas leis do mercado e não pelas leis da Natureza ou por Normas Técnicas.

Essas questões são tratadas com o devido respeito e profundidade no nosso livro, ADMINISTRAÇÃO DE ESCRITÓRIOS DE ARQUITETURA E ENGENHARIA que tem o objetivo de ajudar Arquitetos e Engenheiros a desenvolver as ferramentas e adquirir os conhecimentos e habilidades necessários para gerir seus escritórios com a mesma competência com que fazem seus projetos de Arquitetura ou de Engenharia.
Não deixe de ler.




Se preferir, participe do nosso curso de ADMINISTRAÇÃO DE ESCRITÓRIOS DE ARQUITETURA E ENGENHARIA.Verifique se está na programação/agenda da sua entidade de classe.





PADILHA, Ênio. 2014




Leia também: CARGOS E FUNÇÕES NUM PEQUENO ESCRITÓRIO
DE ARQUITETURA OU DE ENGENHARIA

onde essas tarefas e responsabilidades estão organizadas por cargos e funções no escritório.






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MARKETING BASEADO EM MENTIRAS E ENGANAÇÕES

(Publicado em 22/08/2014)



Fiquei muito feliz! (só que não.)

Acabei de receber um e-mail (e não é spam. Tem nome endereço e contatos do remetente) de uma empresa que representa o TROFÉU DESTAQUE ARQUITETURA.

O e-mail diz o seguinte:



Bom dia, sou do Troféu Destaque Empresarial e temos o prazer de convidar sua empresa para receber o Troféu Destaque Empresarial 2014 no segmento de ARQUITETURA.

Objetivo: O Troféu Destaque Empresarial é realizado há 15 anos e tem como objetivo reconhecer e identificar empresas que se destacam no mercado pela qualidade e excelência dos seus produtos e serviços oferecidos, diferenciando e valorizando as empresas e profissionais que contribuem efetivamente para melhoria continua na qualidade dos seus produtos e serviços em seu respectivo segmento de atuação.

Benefícios: Além do reconhecimento público sua empresa recebe o certificado com moldura em acrílico personalizado com o nome da empresa, selo de qualidade, pasta com acesso aos dados relativos a pesquisa e critérios de avaliação utilizados e o selo de qualidade do Troféu Destaque Empresarial que pode ser utilizado em todas as mídias e canais de comunicação utilizados pela empresa.

Para receber o material basta confirmar por e-mail a entrega, é pago apenas o custo de envio após a entrega do material apenas R$199,00 (APÓS A ENTREGA). Não há nenhum custo adicional. Aguardamos confirmação.

Atenciosamente
Fulana de Tal
Troféu Destaque Empresarial




Aí me lembrei que, em 1995, quando eu ainda tinha um Escritório de Engenharia Eletrica eu também fui abordado por uma empresa dessas. E escrevi um artigo para uma coluna que eu tinha num jornal local, nos seguintes termos:




Alguns empresários investem na qualidade dos seus produtos, no gerenciamento dos custos, no desenvolvimento dos recursos humanos... Outros simplesmente investem na ingenuidade dos seus clientes:

Quando a esmola é demais o santo desconfia.

Fui procurado por um "executivo" de uma empresa de "Pesquisa de Opinião Pública" que veio me cumprimentar e dar a notícia de que a minha empresa havia sido escolhida como a melhor do setor, na nossa cidade. O "prêmio" seria entregue em uma concorrida "solenidade" (jantar, discursos, homenagens) a ser realizada algumas semanas depois em um clube local. É claro que, para isto eu (assim como todos os demais "eleitos") teria de contribuir com uma simbólica quantia (algo equivalente a uns duzentos dólares) a título de patrocínio para a solenidade de premiação.

Para surpresa dele, não dei pulos de alegria nem me senti lisonjeado pela conquista. Pelo contrário, desconfiei de que havia, no mínimo, um engano.

Perguntei então como fora feita a pesquisa que levou a esse resultado. Ele me explicou, em tom professoral, que foram distribuídos 120 questionários entre proprietários e gerentes do comércio local. Esses questionários foram depois recolhidos e as respostas tabuladas. Daí o resultado final.

Para nova surpresa dele, minha desconfiança aumentou ainda mais. Expliquei a ele que as chances de o nome da minha empresa ser lembrado em uma pesquisa feita no comércio eram remotíssimas, por dois motivos simples:

1. Praticamente toda a nossa atividade operacional e as nossas políticas de marketing estavam voltadas para clientes industriais e grandes construtoras. Não havia, definitivamente, uma boa chance de que fôssemos conhecidos e reconhecidos por pessoas que atuam no comércio.

2. Ainda que a "pesquisa" tivesse sido feita na área industrial, eu lamentava dizer, mas nós sabíamos muito bem que não éramos líderes do mercado. Ainda estávamos longe disso. Por maiores que fossem os nossos esforços, reconhecíamos que alguns concorrentes ainda estavam à frente na preferência do mercado. É claro que estávamos trabalhando para mudar este quadro, mas sabíamos que um diploma na parede não iria resolver o problema.

Além disso tudo, uma empresa de pesquisa de opinião deveria saber que a distribuição de 120 questionários no comércio local não vai levar ninguém, jamais, a um resultado com um mínimo de confiabilidade. Em qualquer curso básico sobre pesquisa eles teriam aprendido que a amostra tem de refletir o universo, ou seja, os questionários teriam de ser respondidos, de forma proporcional, por comerciantes, industriais, profissionais liberais, donas-de-casa, estudantes, operários...

Resumindo, aquilo era um Prêmio de Araque. Um golpe em que alguns empresários caem, muitas vezes sem se dar conta. Trata-se de uma operação de estelionato cujo combustível é formado pela má-fé e ganância de uns e pela vaidade e ignorância de outros, com a conivência e o aplauso da platéia.

Esses prêmios e diplomas continuam a serem "conquistados" todos os anos por muitas empresas.

Meus parabéns aos "premiados". Façam a festa, paguem o dinheiro que o "Instituto de Pesquisa" está cobrando pelo prêmio. Pendurem o diploma na parede... Mas, por favor, não esqueçam que é tudo de mentirinha.




Só me resta dizer o seguinte à moça que me mandou o e-mail: quase vinte anos depois... eu ainda não mudei de ideia sobre este assunto. Passar bem.





PADILHA, Ênio. 2014





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VENDE-SE PROJETOS (PADRÃO) DE ARQUITETURA

(Publicado em 16/01/2015)



No ano passado fui contratado para fazer uma palestra num evento de arquitetos. Na verdade, o seminário era organizado e promovido pelo CAU local. Eu faria a segunda palestra. Antes de mim seria apresentada uma palestra sobre Empreendedorismo e Inovação na Arquitetura, por uma palestrante que representava o SEBRAE.

Como sempre, nesses casos, cheguei cedo e pude ver a palestra inicial. Nada de mais. Apenas aquele bla-bla-blá de quem pesquisou no google e os inevitáveis videozinhos manjados do YouTube (tenho horror a isso!).

Para “inovar” na sua palestra, a apresentadora trouxe dois exemplos de empreendedorismo: uma jovem cantora e compositora que toca em bares e festas (desculpem, estou até agora sem entender o que tem de empreendedorismo ou inovação nisso!) e um rapaz que tem um produto “sensacional”: ele constrói casas com uma tecnologia “nova”, tipo steel frame (já falamos disso AQUI).
Mas o mais interessante, no caso daquele jovem era o modelo de negócio: ele tinha criado um site na internet onde os clientes poderiam fazer o negócio diretamente com a empresa, escolhendo o projeto do seu interesse…

ôôôpaaa! Acendeu uma luz amarela! Dei uma geral na platéia e vi que outros colegas se remexiam nas cadeiras, alguns cutucavam o colega do lado e comentavam alguma coisa. Um certo mal estar estava se instalando.

Pra quem não é do ramo eu explico: existem poucas coisas capazes de aborrecer mais um arquiteto do que alguém que oferece “projeto padrão” que pode ser escolhido num catálogo. E eles têm razão. Onde já se viu? Um projeto não é apenas uma planta de construção. Existem muitas coisas importantes que precisam ser consideradas antes de riscar o primeiro traço (seja no papel ou na tela de um computador). É preciso conhecer o terreno, a orientação em relação ao sol, as condições de vizinhança, etc, etc e muitos outros etecéteras…

Um projeto de arquitetura não é um produto de prateleira. É um serviço muito personalizado e merece um cuidado que os arquitetos aprendem a ter nos muitos anos de estudo e de experiência no exercício da profissão.

A palestrante, que não tinha se dado conta disso ao preparar a sua apresentação (porque não sabia nada a respeito do seu público e apenas queria vender a sua palestra guarda-chuva) também não percebeu a inquietação e os olhares de reprovação da plateia. E continuou descrevendo e elogiando o trabalho do seu “empreendedor/inovador exemplar”. E, para fechar com chave de ouro, vem a informação que ela deu com um entusiasmo de quem anunciava uma grande notícia: “E vou dizer mais uma coisa pra vocês, que é o mais importante” disse ela apontando para o rapaz, “ele não é nem arquiteto nem engenheiro. E faz tudo sozinho! Não é fantástico?”

Não. Não era!

Alguns se levantaram e foram embora. O mal estar foi generalizado. Os organizadores não sabiam o que fazer. Um deles sentou-se ao lado do tal empreendedor/inovador e perguntou se ele, de fato não tinha nenhuma formação de engenharia nem de arquitetura. Não tinha. Perguntou então se havia um responsável técnico na empresa que fazia esse tipo de serviço. Não. Não tinha. Mas já estava sendo providenciado. Tinha uma pessoa que iria assinar como responsável pelos projetos (mesmo sem tomar parte do trabalho).

Deus do céu!

Bom, quando chegou a hora da minha palestra nem sei se as pessoas estavam atentas, tamanha foi a perplexidade produzida pelos fatos anteriores. Mais tarde os organizadores do evento disseram que (obviamente) iriam tomar as providências, não só pela gravidade das transgressões confessadas como também pelo terror que foi uma palestra organizada e promovida pelo CAU fazer apologia a um dos comportamentos mais repudiados e execrados pelo corpo dos profissionais. Os organizadores disseram estar chocados e sentindo-se enganados e traídos pela palestrante que demonstrou não saber nada sobre o universo profissional da sua plateia ao cometer um erro tão grosseiro.

Pra mim, além do fato chocante e pitoresco, fica uma constatação importante: é muito maior do que a gente pensa o número de pessoas que considera NORMAL e ACEITÁVEL que (1) projetos de arquitetura sejam vendidos como produtos pré fabricados e (2) que um profissional que não tem nenhuma relação com o trabalho possa simplesmente “assinar a planta” dando legalidade a um trabalho muitas vezes lesivo ao cliente.

Essa questão (a ignorância da sociedade sobre o valor do trabalho do arquiteto) é uma questão que precisa ser atacada com urgência pelo CAU, pelo IAB, pela AsBea, pelos sindicatos e por todos os profissionais no campo.





PADILHA, Ênio. 2015





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OS CONCURSEIROS E O DESPERDÍCIO DE TALENTOS

(Publicado em 27/10/2014)





Imagem: Arte/G1



Os gênios americanos criam empresas fantásticas que mudam os rumos da humanidade. Os gênios brasileiros passam em concursos públicos.
Veja texto de Leandro Vieira: Os concurseiros e o desperdício de talentos.
O que você acha?



Leia o texto completo de Leandro Vieira: Os concurseiros e o desperdício de talentos





PADILHA, Ênio. 2014





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TABELA DE HONORÁRIOS

(Publicado em 22/04/2004)





Imagem: OitoNoveTrês



Semana passada encontrei, no aeroporto, em São Paulo, um amigo que acabou de ser eleito presidente da Associação de Engenheiros e Arquitetos da sua cidade.

Recebi a notícia com alegria. Durante os 12 anos em que eu exerci minhas atividades de engenheiro eu fui um militante ativo das associações de engenheiros e arquitetos, estando sempre envolvido com as tarefas de diretoria. Tanto na AEAVI (em Rio do Sul) quanto na AEAJS (em Jaraguá do Sul) tive o privilégio e a honra de ter sido eleito presidente. E isso foi, sem dúvida, uma experiência muito gratificante e enriquecedora...

Por isso a conversa com o meu amigo corria animada sobre os seus planos de trabalho, até ele me dizer que pretendia fazer um trabalho junto aos colegas com o objetivo de instituir uma Tabela de Honorários para os profissionais da região...

Reagi como se ele estivesse me contando os planos de um atentado terrorista: “Não! Por favor, afaste-se disso. Tabela de honorários, nem pensar!!!”

Ele ficou surpreso. Não contava com aquele “balde d’água fria”. E eu não estava sendo sutil ou indireto.

“Tabela de Honorários, nem pensar”, insisti.

Na verdade, se eu tivesse o poder de instituir “Os Dez Mandamentos das Associações de Engenharia e Arquitetura” o primeiro deles seria, com certeza: “Abolir, definitivamente, a discussão sobre tabela de honorários”

Esta é, sem dúvida, uma das discussões mais infrutíferas do nosso universo profissional. Não se pode, nos dias de hoje, determinar quanto cada um deve cobrar por seus serviços. Por uma razão muito simples: temos de reconhecer que os serviços não são iguais (nem sequer semelhantes).
Cada profissional trabalha à sua maneira e cada negócio envolve um conjunto muito grande de variáveis. A remuneração, no final das contas, não é medida apenas em dinheiro.

No final das contas, independente do que esteja escrito nas tabelas de honorários, cada um irá cobrar exatamente o que achar que pode. O importante mesmo é viabilizar o seu negócio.

Se a discussão de Tabela de Honorários fosse minimamente produtiva, toda a Engenharia e Arquitetura do Brasil estaria em um mar de rosas, pois eu não conheço NENHUMA entidade de classe no país que não tenha, em algum momento, enfrentado esse assunto.

Mas o grande problema da Tabela de Honorários dentro das Entidades de Engenharia e Arquitetura é que não existe nenhum outro tema que seja tão desagregador e que crie tantos desacordos, insatisfações e intrigas entre os profissionais.

É uma discussão em que se tenta igualar coisas que são profundamente diferentes. Cada qual define sua expectativa de rendimento em função da sua própria história, dos seus costumes e, principalmente, do seu padrão de vida.

Tenta-se estabelecer uma regra de mercado que atinge a todos em uma questão absolutamente vital e não existe absolutamente nenhum mecanismo de controle do cumprimento dessa regra.

Albert Einstein, no seu livro “Como Vejo o Mundo” diz entre outras pérolas, o seguinte: “Nada é mais prejudicial para o prestígio da Lei e do Estado do que promulgar leis sem ter os meios para fazê-la respeitar.” Me parece evidente a aplicação disso ao nosso caso.

As tabelas de honorários nada mais são do que “acordos” que são firmados por alguns para ser cumprido por todos. Porém, nem todos têm condições comerciais de cumprir (nem mesmo boa parte dos que participam da elaboração do acordo). E ninguém tem condições de fiscalizar e, muito menos, punir os eventuais infratores. Isso acaba por criar sentimentos de deslealdade e traição. E os colegas considerados desleais ou traidores nada mais estão fazendo do que lutar pela sobrevivência no mercado.

Valorização profissional não se obtém por decreto. Existem maneiras mais inteligentes de alcançar esse objetivo. Marketing Institucional é uma delas. Mas isso já é assunto para outro artigo.





PADILHA, Ênio. 2004





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QUEM TRIUNFA SEM NOBREZA NÃO PERDE. PERDE-SE

(Publicado em 09/10/2014)



NA MINHA TIME LINE DO FACEBOOK tem gente de todas as cores partidárias. Respeito suas posições e admiro (em muito casos) o empenho, a dedicação e a militância.

Mas tem gente que acha que uma eleição deve ser vencida à qualquer custo, com quaisquer armas. Que os fins justificam os meios.

Um dos dois lados (Aécio ou Dilma) vai perder as eleições. Penso que é necessário saber perder. Agir de tal forma que (mesmo com a derrota) a jornada seja motivo de orgulho.

Armando Nogueira, Cronista esportivo, pioneiro do telejornalismo no Brasil, tinha uma frase que me parece interessante para este momento. dizia ele: "Quem triunfa sem nobreza, não perde, perde-se"

Há quem pense que ele quis dizer "Quem triunfa sem nobreza não GANHA, perde-se", mas eu mesmo vi o Armando Nogueira falando a respeito, numa entrevista e ele disse que a frase quer dizer "Quem triunfa sem nobreza não apenas perde. Perde-se!" (Coisas do Marquês de Xapuri).

Acho que alguns militantes de partidos políticos (dos dois lados) estão caminhando para esse abismo: se perderem a eleição terão perdido não apenas a eleição. Terão perdido o respeito dos seus interlocutores. Terão SE PERDIDO.





PADILHA, Ênio. 2014





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ZÉ LEITE E O RÁDIO

(Publicado em 20/07/2002)



Esta história (real) faz parte de um conjunto que eu chamo "DE SEGUNDA MÃO" pois são crônicas feitas sobre histórias contadas ou escritas por outras pessoas.

Eu não invento nem aumento nada. Apenas reescrevo.

Essa quem me contou foi o Zé Leite, que escreveu um livro interessante sobre história da empresa Ypióca, fabricante de uma das mais tradicionais cachaças do Brasil. 

Zé Leite trabalha nessa empresa há mais de 50 anos. Quando ele chegou em Maranguape, no Ceará, em 1949, com 22 anos de idade, já tinha participado da 2a Guerra Mundial, servindo à bordo do encouraçado São Paulo, onde tinha feito o curso de Máquinas, Motores e Caldeiras.

Em Maranguape logo ganhou notoriedade como um "Sabe-Tudo".

Consertava coisas, aplicava injeções, explicava o funcionamento das máquinas mais complicadas...

Um dia a mãe da namorada mandou chamar.  A máquina de bordar tinha parado de funcionar.

Zé Leite teve calafrios.  Nunca tinha consertado uma máquina daquelas.  Mas a futura sogra confiava tanto nele que só entregaria a ele tão importante equipamento.

Ele então pegou a mala de ferramentas e se foi, rezando pelo caminho.  Lá chegando, sem saber direito o que fazer, passou a desmontar a máquina, peça por peça.   Depois fez uma boa limpeza e começou a montar tudo direitinho.
Decretou a si próprio que, se não conseguisse montar a máquina e fazê-la funcionar, perderia a própria namorada, porque jamais voltaria àquela casa.

Para seu alívio a máquina de bordar, depois de remontada, funcionou maravilhosamente e ficou então provado que Zé Leite era mesmo um Sabe-Tudo.

Ele transpirava felicidade e autoconfiança.  A namorada sorria orgulhosa.   Tudo corria às mil maravilhas quando dona Angelita (a sogra) entusiasmada com as habilidades e conhecimentos do futuro genro, acabou com a alegria do rapaz.

"Esse meu rádio", disse ela "não anda bom.   Pode pifar de uma hora pra outra.   E vai precisar dos seus cuidados."

Zé leite ficou internamente apavorado.  Aquele rádio era um dos primeiros a serem fabricados no Brasil.  Um monstrengo.  Mais parecia um guarda-roupas.  Funcionava com duas baterias de automóvel (que, naquela época eram muito maiores do que as de hoje em dia).  Daquele "bicho" o Sabe-Tudo só sabia era "Ligar" e "Desligar"...

Por isso, após a "advertência" da sogra, Zé Leite passou a reduzir as visitas à casa da namorada, com medo de que, a qualquer momento, aquele maldito rádio lhe fizesse uma surpresa desagradável.

Nas poucas vezes que ia àquela casa, sentava-se de costas para o rádio, que passou a ser um martírio constante nos seus pensamentos.  Chegava a ter pesadelos, o coitado.  Rezava, pedindo a Deus uma solução para o caso.

Um belo dia chegou um emissário de dona Angelita, dizendo que ela precisava falar com ele e que era urgente.  Zé Leite quis saber do que se tratava e a pessoa respondeu, "não sei bem, mas é algo relacionado a um rádio..."

Pronto.   Tinha chegado o dia.   O dia do fim de tudo.   O juízo final!

Zé leite pegou a mala de ferramentas e seguiu em direção ao sacrifício.  No caminho não disse uma única palavra.  Estava mudo e pensativo.

Pensava na decepção de dona Angelita.  Na vergonha que ele passaria.  No desgosto da namorada...

Quando chegaram a sogra veio recebê-los no terreiro, com a triste notícia: "Levaram o rádio, Zé Leite.  O rádio foi roubado!"

Zé leite teve de se controlar para não abrir um grande sorriso de felicidade.  Mal prestou atenção no apelo da sogra para que ele ajudasse a procurar o ladrão (ou os ladrões).

Mas esse era o trabalho que Zé Leite faria com o maior prazer (e com nenhuma intenção de sucesso, é claro!)

Nunca encontraram o tal rádio.  Mas Zé Leite rezou muito para Deus, agradecendo pela graça alcançada.





PADILHA, Ênio. 2002





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OS DIREITOS DO AUTOR E A PIRATARIA NA INTERNET

(Publicado em 15/01/2015)





Imagem: Pixabay



"Caiu na rede é peixe!”
Este comentário, de um dos meus amigos no facebook, definia, na semana passada, a regra geral dos direitos autorais na internet. Segundo esse meu amigo, uma vez que uma determinada coisa tenha sido publicada na rede, não cabe mais chororô. É de quem chegar primeiro.

Eu disse "ôôôpaaa! Peraí. Não é bem assim”. Eu sei que muita gente realmente pensa que na internet ninguém é de ninguém, mas isso é só impressão. Na verdade, muitas regras do mundo “real” continuam valendo no mundo virtual. A questão dos direitos do autor sobre a propriedade intelectual é uma delas.

O site da Biblioteca Nacional define a PROPRIEDADE INTELECTUAL como algo que "protege as criações intelectuais, facultando aos seus titulares direitos econômicos os quais ditam a forma de comercialização, circulação, utilização e produção dos bens intelectuais ou dos produtos que incorporam tais criações intelectuais.”

O Direito Autoral no Brasil está regulamentado pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. O autor de uma obra intelectual tem, basicamente, dois tipos de direito: o Direito Moral e o Direito Patrimonial.

O Direito Moral está relacionado aos créditos da obra, ou seja, o direito que o indivíduo tem de ser reconhecido como o autor bem como a preservação da obra, da forma como foi originalmente criada. Esse direito é irrenunciável. O autor não pode abrir mão dele nem vendê-lo ou transferi-lo. Observe que o autor não pode negar (mesmo que queira) a autoria de uma obra intelectual que efetivamente tenha produzido;

Já o Direito Patrimonial é o que permite (e garante) que o autor utilize, desfrute e disponha da sua criação como melhor entender. Ele pode permitir que terceiros utilizem, traduzam, reproduzam ou façam versões, negociando sua utilização de forma integral ou parcial.

Os Direitos Morais não prescrevem. Sempre pertencerão ao autor. Já os Direitos Patrimoniais valem por um determinado tempo (previsto na lei). No caso de livros, no Brasil, são 70 anos depois da morte do autor.

Na internet o Direito moral é o que garante que ninguém pode se apropriar moralmente de conteúdo produzido por outro. Em outras palavras: se você não criou o conteúdo (imagem, texto, vídeo, etc) faça o favor de citar o autor. É, fundamentalmente, uma questão de educação. Mas também é de lei.

Quanto ao DIREITO PATRIMONIAL a conversa já é outra. É preciso ter estratégias para explorar comercialmente (na internet) os conteúdos produzidos. E essa estratégia deve prever o comportamento dos potenciais usurpadores. Nem tudo o que cai na rede é peixe. Mas muitas pessoas pensam que é. Essas pessoas se acham donas de qualquer coisa que encontram na internet. Geralmente são as pessoas que nunca produzem conteúdo interessante. Não escrevem livros, não compõem músicas, não fazem fotografias profissionais, não produzem vídeos...
Porque quem sabe o quanto custa produzir conteúdo de qualidade (que seja interessante e relevante para outras pessoas) sabe dar valor e respeitar o trabalho dos outros.

Um exemplo: tenho vários amigos que escrevem bem. Que têm visões inteligentes do mundo, com abordagens criativas e que, por isso, são muito queridos e lidos na internet.
Agora imagine se eu colecionar artigos escritos por um desses amigos, publicados no site dele ou no seu perfil de Facebook. E depois publicar um livro e colocar à venda sem dar os créditos de autoria e (obviamente) sem pagar os direitos patrimoniais dos escritos (afinal, estava na internet. Caiu na rede é Peixe). Como é que fica? Fica por isso mesmo? Claro que não. O autor vai buscar, com toda razão, os seus direitos morais e patrimoniais.

Uma coisa que eu escuto muitas vezes é de que a troca de informações é necessária e é uma questão de justiça social. A questão aqui não é de TROCA DE INFORMAÇÕES. Trata-se de pessoas que não têm nenhuma informação para fornecer se apropriando do trabalho dos que produzem conteúdo.

Isso me lembra a história que eu li no livro ORA BOLAS, do Juarez Fonseca (página 126) em que um fulano foi ter com o Mario Quintana e disse: “Seu Mário, vim aqui trocar algumas ideias com o senhor”. Impávido o poeta reagiu: “Não aceito! Certamente vou sair perdendo…”

As pessoas que defendem a “troca de informações” na internet raramente produzem alguma coisa de qualidade verdadeira. Algo que, se posto à venda encontraria alguém disposto a pagar para ter.

Sites de compartilhamento de conteúdo (os Xshare da vida) teoricamente servem para que cada um possa compartilhar O SEU PRÓPRIO TRABALHO na rede. Infelizmente, muitas pessoas se apropriam de trabalhos dos outros e disponibilizam na rede, gratuitamente, sem autorização dos autores e das editoras. E faturam aumentando o número de visitantes do seu site.
Pra mim, o nome disso é PIRATARIA. Que nome você daria?

Imagine que você tivesse publicado um livro. Um livro de qualidade (desses que leva tempo e dá muito trabalho pra produzir). Você coloca o seu livro à venda e começa a recuperar o investimento feito. O que você faria se encontrasse o seu livro sendo disponibilizado gratuitamente (em nome da justiça social) no site de outra pessoa?





PADILHA, Ênio. 2015





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SOBRE RÓTULOS E FRASES FEITAS

(Publicado em 08/10/2014)





Imagem: OitoNoveTrês



Você sabe que a conversa não vai ser regida pelo bom senso quando o seu interlocutor usa uma dessas palavras ou expressões:
- Petralhas
- Elite Branca
- Esquerdopatas
- Lulopetista
- PIG
- Privataria
- Coxinha
- estadunidense
- Lula é cachaceiro
- Aécio cheira coca
- Dilma é sapatão
- Globo e Folha são de Direita
- Folha e Globo são Petistas
- Quem lê a Veja é idiota
- Quem lê a Carta Capital é imbecil...

Geralmente, quando o sujeito já está no nível de incorporar ao seu vocabulário uma ou algumas das palavras/expressões acima é porque a paixão já começou a corroer o bom senso e qualquer coisa que seja dita ou apresentada será ignorada, amplificada ou distorcida, ao sabor das preferências ideológicas ou partidárias.
E essa doença não escolhe lado ou ideologia.





PADILHA, Ênio. 2014





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OS NÚMEROS DO JOGO
(ou, de como o futebol pode vir a ser um esporte de engenheiros)

(Publicado em 30/12/2013)



No início de 2009 escrevi um artigo com o título FÓRMULA UM. O ESPORTE DOS ENGENHEIROS no qual discorria sobre o fato de que, na Fórmula Um, a engenharia é considerada uma das estrelas do espetáculo. E, por isso exerce tanto fascinio sobre os engenheiros.

Raramente se pensa no Futebol como um esporte com algum elemento capaz de atrair a atenção de engenheiros em especial. O livro Os números do jogo: porque tudo o que você sabe sobre o futebol está errado de Cris Anderson e David Sally (professores em importantes Universidades americanas e consultores de importantes clubes de futebol no mundo inteiro) parece ter o potencial de alterar esse quadro. O livro mostra que o futebol está cruzando uma nova fronteira. Daqui para o futuro os clubes dependerão cada vez mais de profissionais capazes de saber o que fazer com os números que o esporte produz.

Cris Anderson é especialista em Economia política (e ex-goleiro - amador). David Sally é especialista em Economia comportamental (e ex-jogador de basebol). Aproximaram-se devido ao fato de (além de serem vizinhos) terem ocupações profissionais semelhantes e olharem para o esporte com menos paixão e mais matemática (estatística, para ser mais exato)

Escreveram um livro no qual esse olhar chega ao futebol. Tentam apresentar (e desmistificar) pelo prisma da matemática e da economia, algumas das verdades absolutas do esporte. Vale a pena ler.

O livro dedica o primeiro capítulo (nada menos de 30 páginas) para falar de SORTE e sua influência (e bota influência nisso!) nos resultados das partidas de futebol. Joga um balde de gelo no leitor, afirmando (e demonstrando matematicamente) que muitas partidas poderiam simplesmente ser resolvidas no cara-ou-coroa.

Uma vez estabelecido que uma partida de futebol, isoladamente, é quase uma loteria, resta aos dirigentes, aos treinadores e aos jogadores pensarem em termos de temporada. Ou melhor: temporadas. As estratégias de um time mostram seus resultados no final de uma temporada e não em partidas isoladas.

Algumas fórmulas e estratégias de jogo são analisadas do ponto de vista estatístico. Há uma bela explicação sobre a posse de bola (o futebol praticado pelo Barcelona, pela seleção da Espanha e agora pelo campeão mundial, Bayern de Munich), o jogo aéreo, os contra-ataques e o futebol de guerrilha.

Nós, os fãs de futebol, sempre acreditamos que existem jogadores que desequilibram uma partida ou um campeonato. Que o time que tiver o melhor jogador será o vencedor. Mas a verdade (demonstrada cristalinamente no livro) é que o futebol é um esporte definido pelo elo mais fraco. Isto é: o time que tiver o pior jogador dificilmente pode sonhar com uma classificação na parte superior da tabela. Não importa a excelência do seu melhor jogador.
Por isso o processo de composição do elenco deve ser baseado na qualidade do pior jogador contratado e não apenas da superestrela do ataque.

Nos últimos quatro capítulos os autores tratam da relação dos clubes com seus treinadores, sobre liderança e condução de equipes.
O capítulo 9 (Como você resolve um problema como Megrelishvili?) é um texto que deveria ser adotado em cursos de pós graduação em recursos humanos. Especialmente a análise do Efeito Kohler, que trata dos resultados obtidos com o sentimento de equipe sobre os membros mais fracos ou menos talentosos (tanto nos esportes quanto nas empresas).

Um detalhe importante: o leitor certamente não deixará de observar a quase total ausência de referências ao futebol brasileiro. Isso, claro, não diminue o valor do livro, uma vez que os conceitos apresentados se aplicam completamente ao Brasil e a eventual inclusão do futebol brasileiro na análise não mudaria nenhuma das conclusões do livro.

A ausência do Brasil no livro poderá parecer apenas uma manifestação de eurocentrismo. Um brasileiro diria que "um futebol que ganhou 5 das 19 copas do mundo disputadas até aqui (e ficou entre os quatro primeiros em outras 4 vezes) merece ser avaliado em qualquer estudo de futebol com a pretensão de ser global." No entanto, se observarmos mais atentamente veremos que o livro se sustenta em pesquisas acadêmicas publicadas em congressos e revistas internacionais. Então a ausência do Brasil no livro talvez se deva a ausência de pesquisas importantes sobre o futebol brasileiro nos congressos internacionais.

No início deste artigo eu falei que o futebol está à caminho de se tornar um esporte mais racionalizado. Baseado em números e vencido pelas equipes que tiveram o melhor time de estatísticos e economistas. Os autores vão mais longe. Na página 289, numa das previsões que fazem para o futuro do futebol eles afirmam que "o 4-4-2 será substituído pelo 150-4-4-2". Ou seja: para que o time vença dentro do campo, terá de haver um batalhão de umas 150 pessoas, entre treinadores, nutricionistas, fisiologistas, médicos, dentistas, olheiros, analistas de jogos, estatísticos, economistas... e, quem sabe, engenheiros.

Não sei quanto a vocês, mas eu acho isso muito bacana





PADILHA, Ênio. 2013




REFERÊNCIAS:
1) ANDERSON, Chris. SALLY, David Os números do jogo; por que tudo o que você sabe sobre futebol está errado. São Paulo: Paralela, 2013.




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MUITA MOTIVAÇÃO, MUITA EMOÇÃO... E POUCO FUTEBOL.

(Publicado em 29/06/2014)



Nossos jogadores estão muito motivados, muito emotivos... mas o futebol, que é bom, não está aparecendo. Parece que o Felipão é adepto das técnicas consagradas de alguns desses gurus da motivação e auto ajuda. Isto está me lembrando de 2000, nos Jogos Olímpicos de Sidney, quando o COB contratou um famoso palestrante de auto ajuda para trabalhar na preparação dos atletas. O fracasso da delegação brasileira foi tão retumbante que, alguns dias depois, eu escrevi o seguinte artigo:




AMARELOU, SIM SENHOR!



(Publicado em 29/09/2000)



Depois desse fracasso retumbante da delegação brasileira em Sidney, parece não haver dúvidas: sobrou para o Shinyashiki. Aliás, não só para ele. Sobrou para todo mundo que ganha dinheiro fácil explorando esse verdadeiro flagelo nacional que é a onda de palestras e livros de motivação pessoal e auto ajuda.

O desempenho pífio da delegação brasileira em Sydney serve, ao menos, para demonstrar que no esporte, assim como na vida, não existe mágica, nem milagres. E que medalhas olímpicas não se conquistam apenas com a força do pensamento positivo.

O amigo leitor me responda, por favor. O que é mais difícil: caminhar, literalmente, sobre brasas ou vencer um adversário que já o enfrentou muitas vezes e perdeu sempre?

Você, com certeza, já sabe do que estamos falando: na primeira semana de agosto, pouco antes de a delegação brasileira iniciar viagem para a Austrália, Roberto Shinyashiki (um consagrado autor brasileiro de livros de auto-ajuda e motivação pessoal) deu uma palestra para os atletas, por sugestão do COB. O tema foi “Transformando o Sonho em Medalhas”. No final, ele pediu que os atletas andassem sobre brasas. E os atletas andaram sobre brasas. O resto da história você conhece bem. Deu na televisão, nos jornais e na Internet:

Futebol Masculino, Tênis, Volei de praia (masculino e feminino), Volei de quadra (masculino e feminino) e Futebol Feminino, além de alguns “destaques” individuais na natação e no atletismo foram eliminados dos jogos ou obtiveram resultados muito abaixo do esperado, enfrentando adversários historicamente inferiores. Acabaram mostrando que, quando o assunto é Jogos Olímpicos” a conversa é muito mais séria. Não adianta ter uma preparação ineficiente, dar aos atletas uma atenção inadequada durante quatro anos e depois querer resolver tudo com uma pirotecnia de motivação pessoal.

O Doutor Shinyashiki deu entrevistas afirmando que “o Brasil não amarelou”. E analisou cada caso, dando explicações sobre os “verdadeiros” motivos das derrotas.

Sobre o volei masculino, por exemplo, ele disse que “a explicação é simples: hoje, todos os times têm estatísticas sobre os adversários. Por causa disso é cada vez mais difícil jogar. Se você não tiver jogo sobrando, vai ter problemas. É triste constatar isso, mas, do ponto de vista estratégico, a Argentina esteve perfeita. Eles mapearam todas as nossas possibilidades de ataque e se prepararam.”

Ah, bom. Quer dizer então que o negócio não é “acreditar no improvável”? (tese de Shinyashiki que justificou a ideia das brasas na palestra de agosto). Quer dizer, então, que continua valendo a velha tese de que o melhor mesmo é estar preparado (bem preparado) para o “provável”?

Bom, se é assim, continua valendo a teoria de que “a melhor preparação psicológica que um atleta pode receber são as condições físicas (alimentação, moradia digna, acompanhamento médico e odontológico) para enfrentar o treinamento. Muito treinamento”. A certeza de estar bem preparado para um desafio é muito mais eficiente do que qualquer recurso mágico transcendental.

Eu fui atleta (atletismo) durante 10 anos. Acompanho os Jogos Olímpicos pela TV e pelos jornais desde 1972 (Munique). Sou apaixonado pelos jogos e sempre fui o primeiro a defender os atletas contra as cobranças injustas que a imprensa e a torcida brasileira fazem.

Este ano, porém, junto-me ao coro dos descontentes. É duro ver os atletas brasileiros com um retrospecto altamente positivo, competindo contra adversários reconhecidamente inferiores e perdendo as disputas decisivas por puro “amarelão”.

É preciso que se faça alguma coisa. Precisamos nos preparar direito. E eu digo isto incluindo todos nós, não apenas os atletas.

A torcida, os jornalistas, os dirigentes todos nós precisamos aprender a conviver com o favoritismo. Precisamos aceitar a ideia de que podemos ser melhor (de verdade) em muitas coisas. Precisamos parar com essa bobagem de supervalorizar as conquistas casuais, as vitórias inesperadas, o campeão que surpreendeu a todos. O atleta que vence uma grande competição quando ninguém esperava nada dele é, potencialmente, um atleta que vai “amarelar” quando estiver na condição de favorito absoluto.

Precisamos aceitar sem ressalvas a aparente arrogância dos atletas auto suficientes, que se garantem e que (isto é importante) vencem, sempre que são favoritos.

Joaquim Cruz, Nelson Piquet, Michael Johnson, Romário e tantos outros já foram discriminados pela imprensa e pela torcida apenas por que apresentam esta importantíssima característica.

Mas se você prefere aqueles atletas bonzinhos, sorridentes, “humildes” e nunca dizem “eu sou o melhor”, contente-se com medalhas de “honra ao mérito” e compartilhe com eles as dores das derrotas, quando o desafio for realmente grande.





PADILHA, Ênio. 2020





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AMIGOS DE VERDADE SE RECOMENDAM
(por Jean Tosetto)

(Publicado em 01/10/2018)





Imagem: OitoNoveTrês



O Professor Ênio Padilha mora em Santa Catarina mas viaja pelo Brasil inteiro ministrando cursos e palestras relacionadas com marketing e administração de escritórios de Engenharia e Arquitetura. Se você é engenheiro ou arquiteto engajado na profissão, provavelmente já ouviu falar dele ou tenha lido um artigo sem saber que era de sua autoria.




Leia o generoso artigo AMIGOS DE VERDADE SE RECOMENDAM
escrito pelo arquiteto paulista Jean Tosetto





PADILHA, Ênio. 2018





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UMA NOTA SOBRE O AEROPORTO SANTOS DUMONT, NO RIO DE JANEIRO.

(Publicado em 26/01/2015)





Imagem: OitoNoveTrês



Desde 1565 há uma coisa que se sabe a respeito do Rio de Janeiro: o sol é forte. O calor é intenso. A expressão “Rio 40 graus” não surgiu por acaso.
Tendo isso como FATO, qual seria a melhor solução de arquitetura para um aeroporto? Os arquitetos responsáveis pelo projeto do novo aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro não tiveram dúvidas: uma estufa!

Talvez exista uma boa explicação, mas eu, sinceramente, duvido. A sala de embarque foi projetada como uma imensa estufa de vidro, sob o sol inclemente do Rio de Janeiro. Os condicionadores de ar até que se esforçam, mas não vencem. A temperatura ambiente fica na casa de 28 a 30 graus. Conforto térmico Zero!

Ficou bonito? Ficou. Mas será que, para esse tipo de obra a beleza é mesmo a única coisa que conta? Se alguém aí tiver uma boa explicação ou quiser fazer a defesa dos projetistas, ficarei feliz em ouvir (ler). Pode ser que eu aprenda alguma coisa.





PADILHA, Ênio. 2015





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www.eniopadilha.com.br - website do engenheiro e professor Ênio Padilha - versão 7.00 [2020]

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