MARINGÁ-PR

O Turista Acidental (Ênio Padilha) esta em Maringá-PR, para o curso GESTÃO DE ESCRITÓRIOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS com organização e promoção da AEAM Associação de Engenheiros e Arquitetos de Maringá com apoio do Crea-PR e da Mútua-PR.




MARINGÁ




Imagem: Prefeitura de Maringá



Maringá é um município brasileiro, localizado no norte central do estado do Paraná, com 430.157 habitantes. É uma cidade média-grande planejada e de urbanização recente, sendo a terceira maior do estado e a sétima mais populosa da região sul do Brasil, é uma das mais arborizadas e limpas do país.




O EVENTO E OS PARTICIPANTES


Promotor:AEAM
Curso: Gestão de Escritórios e Formação de Preços
Local e data: Auditório da Sede CREA-PR - 20 e 21/09 - 19h00
(O evento terá também transmissão on-line para inscritos)





Veja as fotos do Turista Acidental:  








O título desta seção é uma referência ao livro \"O Turista Acidental\" da escritora norteamericana Anne Tyler.







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O conhecimento da natureza humana é o princípio
e o fim da educação política

HENRY BROOKS ADAMS

(1838-1918)
Historiador e Jornalista norte-americano no livro
A educação de Henry Adams, página 146

A DÉCADA EM QUE ESTÁVAMOS PERDIDOS

(Publicado em 26/04/2013)



Na semana passada publiquei um artigo no site: "NÃO GOSTO DE MATEMÁTICA, MAS QUERO SER ENGENHEIRO" (uma resposta a uma leitora a respeito de fazer o curso de Engenharia apesar de não gostar de Matemática).

Nos dias seguintes algumas pessoas me perguntaram o que eu quis dizer, no segundo parágrafo, quando escrevi que a década de 1980 foi a "Década Perdida" e a década de 1990 foi "a década em que estávamos perdidos".

Eu explico: é que, desde o início dos anos 2000 temos vivido um renascimento do mercado de trabalho e de oportunidades para os engenheiros. E muita gente fala dos vinte anos anteriores como um período negro na história dessa profissão no Brasil. Mas pouca gente se dá conta de que as duas décadas foram ruins para os engenheiros, mas por motivos diferentes.





Imagem de Pixource por Pixabay



Nos anos 1970 o Brasil viveu o chamado "milagre econômico brasileiro", uma época de excepcional crescimento econômico (construído à custa do endividamento do país) ocorrido durante o regime militar no Brasil, especialmente entre 1969 e 1973, quando o crescimento alcançou números espetaculares (superiores a 10% anuais, tendo alcançado picos de 13% anuais). Ninguém segurava esse País! Uma beleza!

A partir de 1973 o crescimento da economia brasileira diminuiu, por conta do primeiro choque do petróleo, em 1974. Mas o Brasil continuou crescendo, até 1979 numa média de 6,5% ao ano. Convenhamos: nada mal, né?

Aí a capacidade de geração de divisas tornou-se insuficiente para sustentar o ritmo do crescimento, a inflação chegou a 94,7% ao ano e, ainda por cima, os EUA elegerem Jimmy Carter presidente, o que também dificultou a sustentabilidade político-econômica da ditadura militar brasileira (Carter foi o primeiro presidente desde Kennedy, que não deu pleno apoio norte-americano a regimes autoritários na América Latina).

A dívida externa brasileira chegou a US$ 90 bilhões. Era praticamente impagável.

E assim o Brasil chegou aos anos 1980 mergulhado numa recessão econômica que duraria até os primeiros anos da década de 1990. O principal efeito foi um desemprego absurdo em todos os níveis, mas, especialmente nos setores produtivos. Exatamente onde se encontra a Engenharia.

Portanto, para a Engenharia Brasileira, os anos 1980 foram o fundo do poço.

Para os engenheiros e arquitetos os problemas se arrastaram além dos anos 1980 e se mantiveram até o final dos anos 1990. Embora muitos pensem naqueles vinte anos como uma sucessão de dificuldades de mesma natureza, é importante observar que os problemas da Engenharia Brasileira nos anos 1990 não eram de ordem econômica (como nos anos 1980) e sim de ordem estratégica, gerencial e tecnológica.

Com o advento do Real e a estabilização da economia os problemas dos engenheiros nos anos 1990 tinham mais a ver com gestão do negócio, tanto do ponto de vista operacional quanto de mercado.

A incorporação do Marketing como atividade necessária ao desempenho profissional era uma idéia muito nova para engenheiros (e arquitetos) e a natureza conservadora dos profissionais fez com que a Engenharia fosse uma das últimas das profissões liberais a entender o marketing como um instrumento legítimo de estratégia empresarial.

Era grande o número de profissionais que repudiavam o marketing como coisa sem importância ou ligada a “enganações”. Era muito comum ouvir profissionais (novatos ou veteranos) rezar a seguinte cartilha:

“Marketing é coisa de quem não trabalha direito.”
“O melhor marketing é o trabalho bem feito.”
“A qualidade do meu trabalho é a minha garantia de mercado.”
“Não adianta fazer marketing se não existe qualidade por trás.”
“O marketing, na Engenharia e Arquitetura só é necessário quando o profissional não tem um trabalho de qualidade.”

Esse pensamento retrógrado evidentemente atrasou o desenvolvimento do mercado para profissionais que já estavam em estado de inanição produzida na década anterior.

Não bastasse isso, a década de 1990 foi especialmente pródiga em mudanças tecnológicas.

As tecnologias de informação (nossa matéria prima) sofreram alterações profundas com a entrada em cena dos softwares de desenho (principalmente o CAD), os softwares de gestão de projeto (como o MS Project, que, embora tenha sido inventado na segunda metade da década de 1980, popularizou-se, no Brasil, apenas nos anos 1990), a telefonia celular, os novos recursos da telefonia fixa, a TV por assinatura e a grande estrela da Cia: a INTERNET (e, com ela, um novo mundo de oportunidades)

Os recursos de computação e de comunicação produziram algumas alterações profundas no mercado de Engenharia e Arquitetura. A principal delas diz respeito à produtividade alcançada por profissionais iniciantes. Com o uso dos modernos programas de edição de textos, editores de desenhos, planilhas, programas especiais de cálculos, gerenciadores de banco de dados e outros recursos, os profissionais iniciantes conseguiam alcançar um desempenho muito parecido com o de profissionais experientes, especialmente quando o problema não envolvia muita criatividade ou domínio de tecnologia de construção específica.

Ocorre que, em noventa por cento das atividades de Engenharia e Arquitetura, o que os clientes procuram são soluções de pequenos problemas que não demandam, de verdade, grande experiência específica ou criatividade super desenvolvida. Esses problemas exigem do profissional a capacidade de formalizar a solução com qualidade adequada e no tempo mais curto possível.
Isto se chama PRODUTIVIDADE.

O profissional tradicional tinha conquistado a capacidade de solucionar problemas utilizando a sua experiência e a sua criatividade, procurando se estabelecer no mercado com base na qualidade do serviço oferecido.

Nunca havia se preocupado com produtividade. Nunca havia se dado conta de que o seu melhor rendimento financeiro vinha dos serviços simples, dos projetos básicos, daqueles trabalhos que ele conseguia fazer em menos tempo, com menos trabalho, mas que eram remunerados como se fossem trabalhos do mesmo nível de sofisticação dos trabalhos principais.

Quando, na segunda metade da década de 1990, as universidades começaram a disponibilizar para o mercado os primeiros profissionais 100% computadorizados (gente que usou computador desde os tempos de colégio), algumas mudanças profundas começaram a ocorrer: esses profissionais novos começaram a ser concorrentes reais numa fatia de mercado grande (aquela dos serviços simples e de boa remuneração), em que reinavam absolutos os “veteranos”.

Na verdade, do ponto de vista de um cliente que procurava por um projeto para uma residência simples ou para um pequeno prédio de dois pavimentos, existiam apenas duas diferenças entre o profissional tradicional (o veterano) e o recém-formado: o profissional novato terminava mais rápido (porque usa os recursos do computador) e cobrava mais barato.

E essas duas diferenças faziam a diferença fundamental.

Eliminados do mercado de serviços simples (mas que sempre rendiam bons honorários), os engenheiros e arquitetos descobriram que aqueles serviços em que as qualidades excepcionais (que fizeram suas reputações e fortunas) continuavam existindo e sendo demandados pelo mercado. Mas, com novas configurações de preços, a demanda desses serviços não garantiam mais um rendimento adequado com o padrão de vida que já estava estabelecido.

Alguns descobriram rápido a solução: investir em produtividade.

Observe-se que nem é o caso de Marketing. É simplesmente produtividade com qualidade. Isto se chama ADMINISTRAÇÃO EFICIENTE.

A grande dificuldade dos profissionais de engenharia e arquitetura nos anos 1990, portanto não era por conta de problemas de mercado derivados da conjuntura econômica. Eram problemas de mercado devidos à falta de preparo gerencial e competência administrativa.

Quem entendeu isso mais cedo saiu na frente. E, provavelmente, está voando agora, nos anos 2010 pois desenvolveu os pontos que efetivamente produzem diferencial competitivo: domínio de tecnologia de produção, sistematização de processos produtivos, equipes de trabalho, gestão financeira e marketing.





PADILHA, Ênio. 2013





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SER OU NÃO SER? EIS A QUESTÃO.

(Publicado em 03/04/2013)



Prezado Enio...

Perdoe-me pelo texto prolongado. Como não conseguir comunicar-me com você e-mail,gostaria de solicitar sua opinião sobre algo que prezo muito em minha vida, e acredito ser uma constância na vida de muitos, se não a maioria dos jovens iniciantes em suas carreiras profissionais neste mundo cheio de oportunidades e rotas diferentes: "A decisão em seguir uma habilidade ou um dom."

Tenho 25 anos e sou formado como técnico em Eletromecânica, curso que abriu boas portas para meu primeiro emprego e especialmente o atual. Embora nunca fui fã da área mecânica, a curiosidade pelo funcionamento dos equipamentos e raciocínio lógico somado á necessidade desse profissional em meu estado (Bahia-Salvador), cursei e terminei. Tenho facilidade com Cálculos e sou muito curioso no que se refere a entender como as coisas funcionam e qual o propósito delas em nosso dia a dia. Tive a oportunidade de trabalhar num serviço voluntário por 2 anos entre os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo (entre meus 19 e 20 anos de idade), coordenando projetos de serviços sociais e projetos de reestruturação familiar. Isso me fez aprender a ouvir, conversar, entender e trabalhar com diversos tipos de pessoas. Com o convívio de grandes empreendedores, aprendi na prática bons princípios de liderança, quando recebi responsabilidades de coordenar equipes e atingir metas específicas. Atualmente Curso Engenharia Elétrica com Ênfase em Telecomunicações no 5º Semestre. Meu desafio é que não vejo meu futuro como Engenheiro envolvido com meu dom, e sim sustentado por “algumas boas habilidades” nesta área. Convivo com muitas pessoas em diferentes situações profissionais: Pessoas que nunca se descobriram, então seguiram a rota (Curso superior) que parecia mais rentável , outras conheceram seus dons, porém sem coragem, decidiram seguir uma outra área que demonstrara ser mais promissora financeiramente, justificando tal escolha pelo fato de ter “algumas boas habilidades” para a referida área.
O fato é que estou confuso. Tenho reconhecido com o tempo algumas habilidades que possuo, e a pouco entendi realmente qual meu maior dom. Entendo como dom, aquilo que tenho de mais forte, literalmente o que mais desejo fazer, trabalhar, estudar, me aprofundar e compartilhar com o próximo. Habilidade, a meu ver, é algo que aprendemos ou temos a facilidade de tratar, como por exemplo: Calcular, operar determinados equipamentos, desenhar ou fazer qualquer outra coisa que embora você ache interessante e saiba fazer com razoável prestígio, não é seu maior desejo. Em meu caso, eu amo a Educação, administrar recursos e pessoas. Amo o ramo educacional, especialmente a análise dos desafios de aprendizagem tanto em crianças quanto em adultos, bem como os princípios e técnicas de ensino e suas aplicações. Pretendo sinceramente me aprofundar nesse conhecimento. Gostaria que fosse como profissional na área ou como conhecimento relevante para minha vida e família, especialmente no apoio às muitas pessoas que convivem com dificuldades, desde identificarem seus talentos para decidir sua carreira, até a falta de habilidade em comunicar-se com seus filhos e cônjuge, fato que é a raiz de muuuuitos problemas em nossos dias.

Além do mais, entendo que nos próximos anos, devido à infeliz desestruturação que os alicerces familiares vem sofrendo e atingindo especialmente a maturidade da juventude, orientações educacionais em campo infantil e adulto, vocacionais e sociais, ganharão uma atenção e valorização ainda maior que nos dias de hoje. O fato é que o homem tem demonstrado se importar com tudo, menos com a educação de seus filhos e a manutenção de seus relacionamentos familiares. É óbvio que isso culminará em uma sociedade frágil espiritualmente, com pouca e as vezes quase nenhuma capacidade de lhe dar com desafios inesperados ou decisões de grande importância mas que precisam se tomadas. A importância desse tipo de profissional ao meu ver, é a ponte para a saída dessa prisão que as “tendências do mundo” tem conduzido cuidadosamente a mentalidade da juventude nesses últimos tempos.

Não sou adepto da ideia de “dinheiro é o mais importante”, mas o fato é que o campo para Engenharia hoje me permite ganhar melhor para sustentar minha família (eu minha esposa e nosso filhinho de 1 ano). Imagine que como técnico e universitário no 5º período de Engenharia, recebo quase igual ou a mesma coisa que a média salarial de um psicólogo, pediatra ou educador formado (4 a 5 anos de estudo) em meu estado (R$1.700 a 2.500)! Isso é um absurdo! Achei isso um insulto ao trabalho que esse profissional desenvolve. Gosto de Engenharia...Mas sinto que preciso e posso ser mais do que um “bom profissional”, posso ser um “ótimo!”. Mas para isso sinto que precisaria trabalhar com as coisas que tenho o dom de fazer, ao invés das quais possuo apenas a habilidade de realizar. Gostaria de entrar na faculdade e ao sentar na sala de aula, trocar o sentimento do “Saber que o assunto é importante” para “sentir que é importante”. Gostaria de assistir as aulas feliz, por estar aprendendo algo que fará desenvolver o que gosto de fazer, ao invés de focar no diploma que receberei daqui a alguns anos. O desafio é que sinto que preciso garantir primeiro um futuro mais firme financeiramente, (com a Engenharia) e então engrenar em meus maiores sonhos voltados ao ensino e administração. Meu medo é formar-me como Engenheiro eletricista e tornar-me um profissional frustrado por não decidir dedicar-me ao máximo à área. Sempre tive a ideia, e tenho até hoje, que preciso dar o melhor de min, estudar, pesquisar aprender e conviver com tudo sobre a profissão que iria seguir. Ela deveria correr em minhas veias, e meus lábios deveriam sorrir a cada vez que discutisse sobre algo envolvido com a área. Minha meta hoje ao terminar a faculdade é aperfeiçoar meu inglês por mais 1 ano, e concorrer a uma bolsa de estudos internacional (MBA em Administração de Empresas na Universidade Brighan Young – em Salt Lake City/Utah) do qual tenho boas chances de conseguir pelo serviço voluntário que realizei a 5 anos atrás. Essa bolsa-empréstimo cobre meus gastos familiares como alimentação, residência e material educacional por 2 anos. Gosto de Engenharia Elétrica. Na verdade, é a que mais me identifico entre todas elas. Mas amo mesmo trabalhar com pessoas e como elas juntas podem fazer grandes projetos e tarefas importantes. Ajudá-las a alcançarem metas justas e desenvolverem-se me fascina. Embora goste de tecnologia não sou fascinado por ela. Embora amo pesquisar e entender como as coisas funcionam, não me vejo anos e anos projetando sistemas de automação ou de telecomunicações de maneira repetitiva, só para atender aos lucros de uma empresa. Espero que me entenda. Acho que se tivesse recebido uma boa orientação vocacional ainda na juventude, com oportunidades de entrevistar e estagiar com profissionais dessas diversas áreas, talvez hoje eu teria mais certeza da rota a seguir. Só tem algo que daria mais satisfação do que construir pontes inovadoras ou sistemas industriais: É construir pontes e sistemas que desenvolvam a educação.

Perdoe-me pela extensão do texto. Ficarei sinceramente feliz em saber sua concepção sobre esse assunto.

Obrigado pelo tempo!

At.,

Thiago | Salvador-BA
(Nesta seção, o nome e a cidade são trocados sempre que solicitado pelo leitor)




RESPOSTA: Meu caro Thiago
No seu caso talvez seja interessante consultar um profissional mais capacitado (e habilitado) do que eu: um psicólogo vocacional seria uma sugestão interessante, portanto.

Percebi, pelo seu texto que você realmente está (você diz isso) confuso, com as possibilidades que o futuro lhe apresenta. Essa profusão de ambiguidades está deixando você incomodado, o que é normal na sua idade (25 anos)

O que eu posso dizer do seu caso é que a formação tecnológica (curso técnico, tecnológico, engenharia) não é incompatível com a atividade social ou com a área da educação. Existe um grande trabalho a ser feito nas empresas e na sociedade em geral que demanda por engenheiros com habilidades e conhecimentos de educação e humanidades.

Eu entendo que existem pessoas com o domínio do social em todas as áreas. E existem engenheiros trabalhando em muitas coisas que, num primeiro olhar, parece não ter nada a ver com Engenharia: hospitais, escolas, bancos, clubes...

Então, o conselho que eu posso lhe dar agora (além de procurar um psicólogo vocacional) é terminar o curso de Engenharia. Há um oceano de oportunidades no outro lado desse muro.





PADILHA, Ênio. 2013




"Ser ou não ser, eis a questão. Qual é mais nobre ação da alma; sofrer as pedras e flechas da sorte ultrajante, ou pegar em armas contra este oceano de angústias e dar-lhe fim?"
Tradução livre do autor para "to be or not to be, - that is the question: - whether it's nobler in the mind to suffer the slings and arrows of outrageous fortune, or to take armas against a sea of troubles and by opposing end them"

SHAKESPEARE, William. The complete works of. London: Wordsworth, 2007.







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